terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Oração sem nome

     Num campo de batalha, foi achado este poema no bolso de um soldado americano, não identificado. O rapaz fôra estraçalhado por uma granada. Em sua roupa restava, apenas, intacta, a folha de versos:

Escuta Deus,
jamais falei Contigo.
Hoje quero saudar-Te, Bom dia!
Sabe? disseram que Tu não existes.
e eu, tolo, acreditei que era verdade.
Nunca havia reparado a Tua obra.
Ontem à noite, da trincheira rasgada por granadas,
vi Teu céu estrelado
e compreendi então que me enganaram.
Não sei se apertarás a minha mão.
Vou Te explicar e Hás de compreender.
É engraçado: neste inferno hediondo
achei a luz para enxergar Teu rosto.
Dito isto, já não tenho muita coisa a Te contar
só que... que... tenho muito prazer em conhecer-Te.
Faremos um ataque à meia-noite.
Não sinto medo.
Deus, sei que Tu velas...
Ah! é o clarim! Bom Deus, devo ir-me embora.
Gostei de Ti, vou ter saudade... quero dizer:
será cruenta a luta, bem o sabes,
e esta noite pode ser que eu vá bater-Te à porta!
Muito amigos não fomos, é verdade.
Mas... sim, estou chorando!
Vês, Deus, penso que já não sou tão mau.
Bem, Deus, tenho que ir. Sorte é coisa bem rara:
Juro, porém: já não receio a morte...

Imegem: http://barocelli.deviantart.com/