domingo, 29 de abril de 2012

Conto: O Eco / Autor (a): ?

     Um pequeno garoto e sua mãe caminhavam pelas montanhas.
     De repente o garoto cai, se machuca e grita :
     - Aai !!!
     Para sua surpresa escuta a voz se repetir, em algum lugar da montanha :
     - Aai !!!
     Curioso, pergunta:

     – Quem é você?
     Recebe como resposta:

     – Quem é você?
     Contrariado, grita:

     – Seu covarde!!!
     Escuta como resposta:

     – Seu covarde!!!
     Olha para a mãe e pergunta aflito:

     – O que é isso?
     A mãe sorri e fala:

     – Meu filho, preste atenção!!!
     Então a mãe grita em direção a montanha:

     – Eu admiro você!
     A voz responde:

     – Eu admiro você!
     De novo a mulher grita:

     – Você é uma campeã!
     A voz responde:

     – Você é uma campeã!
     O garoto fica espantado sem entender nada.
     Então a mãe explica:

     – As pessoas chamam isso de ECO, mas na verdade isso é a VIDA. Ela lhe dá de volta tudo o que você diz ou faz. Nossa vida é simplesmente o reflexo das nossas ações. Se você quer mais amor no mundo, crie mais amor no seu coração. Se você quer mais tolerância das pessoas, seja mais tolerante. Se você quer mais alegria no mundo, seja mais alegre. Com a natureza também é assim, trate-a bem e receberás de volta tudo de melhor que ela tem para oferecer!!!
A vida vai lhe dar de volta o que você deu a ela.

SUA VIDA É A CONSEQÜÊNCIA DE VOCÊ MESMO!!!

Imagem: Wikipédia.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Poesia: Saudade / Autor: Augusto dos Anjos

Hoje que a mágoa me apunhala o seio,
E o coração me rasga atroz, imensa,
Eu a bendigo da descrença, em meio,
Porque eu hoje só vivo da descrença.

À noute qunado em funda soledade
Minh’alma se recolhe tristemente,
P’ra iluminar-me a alma descontente,
Se acende o círio triste da Saudade.

E assim afeito às mágoas e ao tormento,
E à dor e ao sofrimento eterno afeito,
Para dar vida à dor e ao sofrimento,

Da saudade na campa enegrecida
Guardo a lembrança que me sangra o peito,
Mas que no entanto me alimenta a vida.
 


Imagem: Sabryna Keisy. 

Música: Depois / Compositores: Arnaldo Antunes, Carlinhos Brown e Marisa Monte

Depois de sonhar tantos anos,
De fazer tantos planos
De um futuro pra nós
Depois de tantos desenganos,
Nós nos abandonamos como tantos casais
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também

Depois de varar madrugada
Esperando por nada
De arrastar-me no chão
Em vão
Tu viraste-me as costas
Não me deu as respostas
Que eu preciso escutar
Quero que você seja melhor
Hei de ser melhor também

Nós dois
Já tivemos momentos
Mas passou nosso tempo
Não podemos negar
Foi bom
Nós fizemos histórias
Pra ficar na memória
E nos acompanhar
Quero que você viva sem mim
Eu vou conseguir também

Depois de aceitarmos os fatos
Vou trocar seus retratos pelos de um outro alguém
Meu bem
Vamos ter liberdade
Para amar à vontade
Sem trair mais ninguém
Quero que você seja feliz
Hei de ser feliz também
Depois
Imagem: Sabryna Keisy.
Para ver e ouvir: YouTube. 

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Cordel: A Origem da Riqueza / Autor: Medeiros Braga

Vivia o homem em caverna
Sem trabalho e produção,
Comendo frutas silvestres
Que encontrava no chão
Da rica vegetação


Porém, as comunidades
Iam velozes crescendo
E a produção desses frutos
Já não estava atendendo,
Deixando seus habitantes,
Por sua falta, sofrendo.


Sentindo a necessidade
De mais alimentação,
Além de frutas e ervas,
Como a caça e pesca, então,
Teve o homem que criar
Seus meios de produção.


Então, inventou a lança,
O arco, a flecha, a peixeira,
Machado, canoa, foice,
O facão e a roçadeira,
Registrando o CAPITAL
Sua marca pioneira.


Mas, a força de trabalho,
Usando a pedra e a madeira,
Foi quem criou, com rigor,
O CAPITAL de primeira,
Gerando os equipamentos
Para ação alvissareira.


Porém, o homem dotado
De consciência e razão,
Perante as necessidades
Foi quem deu a condição
De criar o CAPITAL
E aumentar a produção.


Esse período de história
Do processo produtivo
Com o homem, em liberdade,
Convivendo o coletivo,
Ficou conhecido como
“COMUNISMO PRIMITIVO”


Ali todos produziam
Conforme a capacidade
E, embora intuitivo,
Tinham plena liberdade
De usar a produção
Segundo a necessidade.


Já existia o CAPITAL,
Mas, não havia mercadoria,
Pois, de tudo produzido,
Lá mesmo se consumia.


Nada de TROCA DIRETA,
INDIRETA ou outra via.


Por essa época não havia
Escravo ou propriedade,
Era pouca a divisão
Entre o campo e a cidade,
Não havia leis, governos,
Nem a nacionalidade.


Mas, um dia os habitantes
Com o invasor depararam,
Aventureiro e perverso,
Dele, raivoso, escutaram:
“Isso tudo aqui é meu”
E todos silenciaram.


Por uma ingenuidade
Ou medo da reação,
A comunidade assistia
A mais vil revolução
Suprimindo a liberdade
E criando a escravidão.


Assim, nasciam da força
A propriedade, o Estado,
Escravos, polícia, leis,
Tendo a justiça de lado
Para inibir a revolta
De um povo injustiçado.


Daí foram se formando
Os impérios e reinados,
E em volta e entre eles
Apareceram os mercados
Onde os produtos seriam
Com seus valores trocados.


A partir desse processo
Tudo foi se evoluindo,
Se explorou a agricultura
Com ela foi se expandindo
A agro-indústria que ia
Para o mundo produzindo.


Invenções e descobertas
Tiveram seu esplendor
Com caravelas marítimas,
Embarcações a vapor,
O trem de ferro, o telégrafo,
Avião, carro, motor.


Se já tinha a agricultura
A colhedeira, o trator,
Tinha a indústria moderna
Técnicas de alto valor
E equipamentos que vão
Da informática ao robô.


Foi o capital dividido
Em VARIÁVEL e CONSTANTE,
O primeiro está ligado
À mão-de-obra atuante,
Só ela faz variar
Do capital, o montante.


O CAPITAL VARIÁVEL
É o dinheiro pra pagar
O salário do operário
Que na produção está
Para que possa o composto
Do CAPITAL variar.


Já o CAPITAL CONSTANTE
Diz respeito ao maquinário,
É constante, não altera
Pelo processo diário
O volume de produção
Como faz o operário.


O CONSTANTE e o VARIÁVEL
Têm outro comparativo
Que externa a importância
No processo produtivo:
Um se diz “TRABALHO MORTO”,
O outro, “TRABALHO VIVO”.


É pena que em tudo isso
Foi erguida com rigor
Uma fantástica cortina
Para encobrir que o valor
Produzido sempre tem
Por trás um trabalhador.


Não há como desfazer
Essa verdade do malho,
Por mais que o capitalista
Dê, ele próprio, o baralho,
Não esconde que o CAPITAL
Quem o criou foi o TRABALHO.


Olhem toda coisa em volta
Pra tirar a conclusão:
Quem fez o fio da roupa
Que leva a confecção,
Ou a máquina que teceu...
Quem foi que a fez, então?!


Quem fez o próprio robô
Que dá show na produção...
Será que ele funciona
Sem lhe apertar um botão?
Será capaz de fazer
Sua própria manutenção?


Por trás, então, da riqueza
Se encontra um trabalhador.


Está no relógio de pulso,
De bolso, despertador,
Está na parede ao lado,
Cadeira, mesa, birô.


Está na telha da casa,
Na madeira, piso, porta,
No papel, tinta, caneta,
Na linha correta ou torta,
Praça, calçada, galpão
Que nos abriga e conforta.


O trabalhador se encontra
Na igrejinha da frente,
No cálice que leva o vinho,
Na vela chorosa, quente,
Nos bancos, nos castiçais,
No sino de som plangente.


O trabalhador está
Em cada uma estação,
Está na roda e no trilho,
Está em cada vagão,
Está no apito e na máquina
Que faz a locomoção.


Há produtos do TRABALHO
Que se olha com fervor
E até, por vezes, comove
O atento observador
Como se ali descobrisse
Um sentimento de amor.


E até se diz que um objeto
Tem um pouco de humano
Dizem que o trabalhador
Ao produzir com afano
Repassa sua energia
E sentimento mais sano.


Só o TRABALHO, e só ele,
Tem essa força que invoca
Na produção abundante
Que se utiliza ou estoca,
Sejam BENS DE CAPITAL,
Os BENS DE USO e de TROCA.


São os BENS DE CAPITAL
Tudo que tem relação
Com máquinas, equipamentos,
Peças de reposição
Que asseguram o processo
Dos meios de produção.


BENS DE USO e BENS DE TROCA
São a denominação
Que se dá para os produtos
Que resultam em produção
Tendo cada, no seu tempo,
Sua diversa função.


BENS DE USO são produtos
Que ao mercado não vêm
Destinam-se para o consumo
Dele próprio e mais alguém,
Sendo que da produção
Nenhuma renda ele tem.


BENS DE TROCA são produtos
Que se destinam ao mercado
Tem seu valor definido,
No geral determinado,
Na lei da OFERTA E PROCURA
Quando o negócio é fechado.


São BENS DE TROCA porque
É o produto trocado
Por produto ou por dinheiro...
É o que se vê no mercado.
É o sistema por dinheiro
Até hoje é o mais usado.


Quando o processo de troca
Se dá de forma correta
De produto por produto
Se diz que é TROCA DIRETA;
Mas, se é feita com dinheiro
Tem-se uma TROCA INDIRETA.


Pelo fato de um produto
Abastecer o mercado,
Chamamos “MERCADORIA”,
Um BEM DE TROCA falado,
Não é como um BEM DE USO
Que não deve ser trocado.


Se alguém faz uma grade
Pra seu uso permanente,
Não sendo feita pra troca
É um BEM DE USO, evidente,
Porém, é mercadoria
Se no mercado é corrente


Se se produz um portão
Para ser negociado
Torna-se mercadoria
Porque vai para o mercado
E que de forma direta
Ou indireta é trocado.


No entanto, se esse portão
Foi feito pra ser somente
De utilidade pessoal
Ou dado até de presente,
Ele passa a ser um bem
De uso, exclusivamente.


Porém, os dois têm valor
Na complicada engenhoca:
Um é mais sentimental,
O outro, interesse invoca;
Um tem um VALOR DE USO,
O outro, um VALOR DE TROCA.


Há sobre o valor de troca
Uma vasta teoria,
São muitas formas contidas
Nas lições da economia
Para definirem preço
De cada mercadoria.


A primeira é a TEORIA
OBJETIVA DO VALOR,
Diz que o preço de um bem
Produzido com primor
Está no trabalho dado
De cada trabalhador.


Se três horas de trabalho
Foi o tempo dispensado
Para fazer um birô
Ele pode ser trocado
Por qualquer outro objeto
Com esse tempo trabalhado.


Essa mesma teoria
Já, bem antes, se chamou
TEORIA DO VALOR-TRABALHO,
Pois, define ela o valor
Pelo tempo necessário,
Normal, de um trabalhador.


A segunda utilizada
No estudo da economia
Polêmica, sofisticada,
É a chama TEORIA SUBJETIVA DO VALOR
Que mede a MERCADORIA.


Esta define o valor
E mensura a densidade
Do preço de um produto
Pelo grau de UTILIDADE
Ou mesmo SATISFAÇÃO
Que causa à sociedade.


Também, foi ela chamada
TEORIA DA UTILIDADE
Sendo o valor do produto
Medido, sem realidade,
Pelo grau de satisfação
Ou mesmo a necessidade.


Porém, muitos interrogam
Com extremado furor:
Se, em si, a utilidade
Não pode ter medidor,
Como ela pode servir
De medida de valor?


Tudo isso são fatores
Que, gerindo a burguesia,
Só favorecem a prática
Da extorsão da MAIS-VALIA,
Salvando o capitalismo
Das crises da economia.


MAIS-VALIA é uma forma
Na qual o capitalista
Se apropria da força
De trabalho, fatalista,
Para extrair o excedente
Com sua sanha egoísta.


MAIS-VALIA dá o valor
Que fica representado
Entre o que foi produzido
E o que foi remunerado,
Sendo essa diferença
O seu grau de explorado.


Se o trabalho produziu
Nas duas horas primeiras
O valor que será pago
Das oito horas inteiras,
Houve uma apropriação
Das seis horas derradeiras.


No caso, foram seis horas
Das oito de produção
Que teve o trabalhador,
Nas malhas da exploração,
De produzir tal riqueza
De graça para o patrão.


Há, pela classificação,
Dois tipos de MAIS-VALIA:
MAIS-VALIA ABSOLUTA
Que tem sua primazia
Na jornada de trabalho
Que se alonga pelo dia.


MAIS-VALIA RELATIVA
É a outra identidade...
Sua lógica funciona
Pela produtividade,
Reduzindo a mão-de-obra
E o custo da atividade.


A forma da MAIS-VALIA
É o instrumento de ação
No qual o capitalista
Fundamenta a exploração
Se apropria do lucro
Pra sua acumulação.


RELATIVA OU ABSOLUTA,
Faz dela sua esperteza,
Seu principal mecanismo,
Com insanidade e avareza
Para livrar-se das crises
E acumular a riqueza.


A forma de MAIS-VALIA
É o instrumento de ação
No qual o capitalista
Realiza a exploração
De todos trabalhadores
Que estão em operação.


Pra complicar, ampliaram
A DIVISÃO SOCIAL
DO TRABALHO, que acorrenta
O operário ao capital
Gerando satura, estresse
E até vítima fatal.


O operário é treinado
Numa tarefa escolhida
Como apêndice da máquina
Na sujeição descabida
Pra fazer a mesma coisa,
Sem gostar, por toda vida.


A DIVISÃO DO TRABALHO
Sem o aceite necessário,
Mesmo sendo produtivo
Tem um agressivo contrário,
Pois, se é bom pra produção,
É péssimo para o operário.


Já disse um grande poeta
Nos acordes da poesia:
Quando o trabalho é prazer,
A vida é toda alegria;
Mas, quando ele é dever,
É escravidão, elegia.


O homem deve ser livre
Na escolha do fazer
Porém no capitalismo,
Com o arbítrio do poder,
O trabalho é um direito
Que se transforma em dever.


Qualquer que seja o estágio
Na escala da produção
O operário é extorquido
No país ou fora, então,
Pela troca desigual
Que se dá entre nação.


Em toda parte do mundo
Capitalista que há
A sociedade é composta,
Embora tentem negar,
Pelos que são explorados
E os que estão a explorar.


No decorrer da história
Foram feitos de explorados
Na Grécia e na Roma antiga
Os escravos nos reinados,
Pelo feudalismo, os servos
E hoje, assalariados.


E a cada ano que passa
O horror se intensifica,
Crianças morrem de fome,
O desemprego se estica,
O povo fica mais pobre
E a burguesia mais rica.


Não há a menor saída
Dentro do capitalismo
As nações mais avançadas
Pelo seu tecnicismo
Recorrem, por solução,
Ao mais vulgar humanismo.


Recorrem a pequenas rendas,
Socorros, filantropia,
Benefícios, paliativos,
Pra angariar simpatia
E assegurar o processo
Da pseudo democracia.


Que fazer ante o impasse
Desse sistema opressor?
É se organizar em massa
E lutar com destemor
Pra colocar o poder
Na mão do trabalhador.


Devem se organizar
Operários, militantes,
Pra levar informações
Precisas e importantes
Para a boa educação
Daqueles mais vacilantes.


A arma mais poderosa,
Hoje, é a conscientização
Política dos operários
Que não tiveram a lição
Da consciência da luta
Da própria libertação.


Líderes de várias nações,
Grandes revolucionários,
Que sempre estiveram dentro
Dos embates libertários,
Clamaram a necessidade
De educar os operários.


Não existe a menor saída
Sem a conscientização...
Geradora das idéias
Das massas, com precisão,
É da marcha às energias
Que levam à insurreição.


Só a conscientização,
Tacape, lança, escudeiro,
Dá o poder de combate,
Torna imbatível o guerreiro
E une os trabalhadores,
Em luta, no mundo inteiro.


Imagem: http://nelson-ohomemeotrabalho.blogspot.com.br/2012/01/evolucao-do-homem-no-trabalho.html

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Citações / Diversos Autores

"Só aquele que possui uma fé profunda pode se dar ao luxo do ceticismo."
- F. Nietzsche.

"Há duas coisas pelas quais os animais são invejados: não sabem nada sobre os futuros infortúnios nem sobre o que as pessoas dizem a respeito deles."
- Voltaire.

"Gatos nos olham com superioridade; cachorros nos olham com docilidade. Só os porcos nos olham como iguais."
- Winston Churchill.

"Lua a pino, maré do destino."
- Dito popular entre os pescadores.

"Se Deus limitou a inteligência, porque não limitou também a burrice?"
- Paulo Brossard.

"O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem. Nossa tragédia é que não temos o mínimo de auto-estima."
- Nelson Rodrigues.

"As pessoas que nunca têm tempo não conseguem grandes coisas."
- George C. Lichtenberg.

"Em sua luta contra o resto do mundo, aconselho que você se coloque ao lado do resto do mundo."
- Franz Kafka.

"Não há castos; somente doentes, hipócritas, maníacos e loucos."
- Anatole France.

"Ao morrer seu cachorro L. Byron escreveu no seu túmulo: Aqui repousam os restos de uma criatura que foi bela sem vaidade, forte sem insolência e valente sem ferocidade e teve todas as vistudes do homem e nenhum de seus defeitos." 
- ?

"Ninguém é tão velho que não espere que depois de um dia não venha outro."
- Sêneca.

domingo, 15 de abril de 2012

Conto: O Bendito Aguilhão / Autor: Chico Xavier (ditado pelo espírito Irmão X)

Atendendo a certas interrogações de Simão Pedro, no singelo agrupamento apostólico de Cafarnaum, Jesus explicava solícito:

-Destina-se a Boa-Nova, sobretudo, à vitória da fraternidade.

Nosso Pai espera que os povos do mundo se aproximem uns dos outros e que a maldade seja esquecida para sempre.

Não é justo combatam as criaturas reciprocamente, a pretexto de exercerem domínio indébito sobre os patrimônios da vida, dos quais somos todos simples usufrutuários.

Operemos, assim, contra a inveja que ateia o incêndio da cobiça, contra a vaidade que improvisa a loucura e contra o egoísmo que isola as almas entre si....

Naturalmente, a grande transformação não surgirá do inesperado.

Santifiquemos o verbo que antecipa a realização.

No pensamento bem conduzido e na prece fervorosa, receberemos as energias imprescindíveis à ação que nos cabe desenvolver.

A paciência no ensino garantirá êxito à sementeira, a esperança fiel alcançará o Reino divino, e a nossa palavra, aliada ao amor que auxilia, estabelecerá o império da infinita Bondade sobre o mundo inteiro.

Há sombras e moléstias por toda a parte, como se a existência na Terra fosse uma corrente de águas viciadas. É imperioso reconhecer, porém, que, se regenerarmos a fonte, aparece adequada solução ao grande problema.

Restaurado o espírito, em suas linhas de pureza, sublimam-se-lhe as manifestações.

Em face da pausa natural que se fizera, espontânea, na exposição do Mestre, Pedro interferiu, perguntando:

-Senhor, as tuas afirmativas são sempre imagens da verdade. Compreendo que o ensino da Bom-Nova estenderá a felicidade sobre toda a Terra... No entanto, não concordas que as enfermidades são terríveis flagelos para a criatura? E se curássemos todas as doenças? Se proporcionássemos duradouro alívio a quantos padecem aflições do corpo? Não acreditas que, assim instalaríamos bases mais seguras ao Reino de Deus?

E Filipe, ajuntou algo tímido:

-Grande realidade!... Não é fácil concentrar idéias no Alto, quando o sofrimento físico nos incomoda.

É quase impossível meditar nos problemas da alma, se a carne permanece abatida de achaques...

Outros companheiros se exprimiram, apoiando o plano de proteção integral aos sofredores.

Jesus deixou que a serenidade reinasse de novo, e, louvando a piedade, comunicou aos amigos que, no dia imediato, a título de experiência, todos os enfermos seriam curados, antes da pregação.

Com efeito, no outro dia, desde manhãzinha, o Médico Celeste, acolitado pelos apóstolos, impôs suas milagrosas mãos sobre os doentes de todos os matizes.

No curso de algumas horas, foram libertados mais de cem prisioneiros da sarna, do cancro, do reumatismo, da paralisia, da cegueira, da obsessão...

Os enfermos penetravam o gabinete improvisado ao ar livre, com manifesta expressão de abatimento, e voltavam jubilosos.

Tão logo reapareciam, de olhar fulgurante, restituídos à alegria, à tranqüilidade e ao movimento, formulava Pedro o convite fraterno para o banquete da verdade e luz.

O Mestre, em breves instantes, falaria com respeito à beleza da Eternidade e à glória do Infinito; demonstraria o amor e a sabedoria do Pai e descortinaria horizontes divinos da renovação, desvendando segredos do Céu para que o povo traçasse luminoso caminho de elevação e aperfeiçoamento na Terra.

Os alegres beneficiados, contudo, se afastavam céleres, entre frases apressadas de agradecimento e desculpa. Declaravam-se alguns ansiosamente esperados no ambiente doméstico e outros se afirmavam interessados em retomar certas ocupações vulgares, com urgência.

Com a cura da última feridenta, a vasta margem do lago contava apenas com a presença do Senhor e dos doze aprendizes.

Desagradável silêncio baixou sobre a reduzida assembléia.

O pescador de Cafarnaum endereçou significativo olhar de tristeza e desapontamento ao Mestre, mas o Cristo falou compassivo:

-Pedro, estuda a experiência e aguarda a lição. Aliviemos a dor, mas não nos esqueçamos de que o sofrimento é criação do próprio homem, ajudando-o a esclarecer-se para a vida mais alta.

E sorrindo, expressivamente, rematou:

-A carne enfermiça é remédio salvador para o espírito envenenado. Sem o bendito aguilhão da enfermidade corporal é quase impossível tanger o rebanho humano do lodaçal da Terra para as culminâncias do Paraíso.

Imagem: http://www.indiesart.com/artist/80-ratinan-thaijareorn

Livro: Frankenstein / Autora: Mary Shelley

1- "Para examinarmos as causas da vida, precisamos primeiro recorrer à morte."

2- "O sofrimento anula os mais elementares sentimentos do homem."

3- "Como mudam os nossos sentimentos e quão estranho é o amor com que nos agarramos à vida, mesmo no meio das maiores desgraças!"

4- "Um ser humano normal deve sempre preservar a calma e a paz de espírito, e jamais permitir que um desejo ou uma paixão passageira perturbe sua tranquilidade."

5- "Repousamos - um sonho tem o poder de envenenar o sono.
      Acordamos - um pensamento fugidio conspurca o dia.
      Sentindo, imaginando, ou raciocinando, rindo ou chorando,
      Aceitamos a mágoa, ou repelimos nossas preocupações.
      Mas tudo permanece no mesmo: pois alegre ou triste, 
      O caminho da partida ainda fica livre
      O ontem do homem talvez jamais seja como o seu amanhã:
      Nada perdura, a não ser a instabilidade."

Imagem: http://salamandra.com.br/book.php?id_titulo=10020420

sábado, 14 de abril de 2012

Música: Resposta ao Tempo / Compositores: Aldir Blanc e Cristovão Bastos

Batidas na porta da frente é o tempo
Eu bebo um pouquinho pra ter argumento
Mas fico sem jeito, calado, ele ri
Ele zomba do quanto eu chorei
Porque sabe passar e eu não sei

Um dia azul de verão, sinto o vento
Há folhas no meu coração é o tempo
Recordo um amor que perdi, ele ri
Diz que somos iguais, se eu notei
Pois não sabe ficar e eu também não sei

E gira em volta de mim, sussurra que apaga os
caminhos
Que amores terminam no escuro sozinhos

Respondo que ele aprisiona, eu liberto
Que ele adormece as paixões, eu desperto
E o tempo se rói com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor pra tentar reviver

No fundo é uma eterna criança
que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder me esquecer
No fundo é uma eterna criança
que não soube amadurecer
Eu posso, ele não vai poder me esquecer

Imagem: Sabryna Keisy.
Para ver e ouvir: YouTube. 
Para ouvir e baixar: 4shared. 

sábado, 7 de abril de 2012

Fábula: O Lobo e o Burro / Autor: Esopo

     Um burro estava comendo quando viu um lobo escondido espiando tudo que ele fazia. Percebendo que estava em perigo, o burro imaginou um plano para salvar a sua pele.
     Fingiu que era aleijado e saiu mancando com a maior dificuldade. Quando o lobo apareceu, o burro todo choroso contou que tinha pisado num espinho pontudo.
     — Ai, ai, ai! Por favor, tire o espinho de minha pata! Se você não tirar, ele vai espetar sua garganta quando você me engolir.
     O lobo não queria se engasgar na hora de comer seu almoço, por isso quando o burro levantou a pata ele começou a procurar o espinho com todo cuidado. Nesse momento o burro deu o maior coice de sua vida e acabou com a alegria do lobo.
     Enquanto o lobo se levantava todo dolorido, o burro galopava satisfeito para longe dali.


Cuidado com os favores inesperados.

Imagem: http://hukumusume.com/douwa/English/aesop/02/28_E.html

Crônica: Graham Bell e o Telefone / Autora: Maria Esther Torinho

     Quando Graham Bell inventou o telefone, já tinha gastado tudo que tinha com pesquisas para a fabricação do aparelho e o registro da patente.
     A essa altura, já andava muito nervoso,  porque não há nada melhor que a falta de dinheiro para mexer com os nervos de alguém. E assim, por causa do seu nervosismo, no ato mesmo da criação, o criador amaldiçoou a sua criatura :
     -Você cumprirá a sua missão neste mundo. Despertará a curiosidade e a admiração das pessoas, mas também será depredado e mutilado. Sofrerá grandes transformações e facilitará enormemente a vida no planeta, embora também vá servir como instrumento de sadismo, com o qual certas pessoas atormentarão os outros, de modo que o ódio destas últimas, às vezes, se voltará contra você.

     O telefone ouviu e calou-se.
    Assim como falou Graham Bell, assim se cumpriu. Até parece que ele estava sendo assessorado por um bruxo, embora eu sempre tenha pensado que os inventores só fossem assediados por gênios do Bem.
     E até hoje o telefone cumpre sua dupla missão.
     Através dele podemos saber as noticias das pessoas queridas, mas também podemos ficar sabendo que o nosso grande amor acabou de se casar.
     Podemos receber os cumprimentos pelo nosso aniversário, mas também receber o xingamento de alguém cuja linha se cruzou com a nossa.
     Podemos receber um maravilhoso convite da pessoa que amamos, ou ainda sermos longamente importunados por aquela pessoa "chata", que não quer perceber, o nosso desinteresse.

     Ele pode ser o instrumento para uma belíssima surpresa ou para sermos importunados durante a madrugada com piadas de mau gosto de gente desocupada.
     Podemos, em questão de segundos, falar com paises distantes, mas também podemos ficar muito tempo tentando falar para o mesmo bairro, sem conseguir; ou então, conseguimos uma ligação interurbana não desejada e temos que pagar ao menos os primeiros minutos do erro.
     Veja que o telefone é um aparelho tão útil que através dele a gente pode até reclamar à Companhia Telefônica pelo alto preço da conta, embora isso não de o menor resultado. O único resultado concreto é que no próximo mês a conta será ainda mais alta, porque as tarifas sobem constantemente.
     E por causa da má utilização do aparelho e da ganância das Companhias Telefônicas e das chamadas "Bolsas de'Telefone", por causa dos problemas que surgem com a utilização do mesmo, quem sofre é o coitado do aparelhinho.
     Em casa ele pode até ser xingado, mas na rua é depredado, mutilado; tanto aqui como lá ele às vezes é amado e outras, odiado como se fosse culpado pelos problemas das pessoas.
     Alguém conhece a formula para desfazer essa triste maldição, de modo a ficarmos somente com as vantagens que o telefone oferece ?

     Pois não é que outro dia sonhei que fazia uma ligação telefônica para Graham Bell? E tem mais: a fim de desfazer a maldição, eu e ele invocamos o gênio do mal que o assessorou no momento da invenção.
     Não me lembro muito bem como terminou o impasse, mas me lembro de logo em seguida ter recebido o Prêmio Nobel da Paz.
     E você que me lê, se está pensando que minto, eu lhe digo que você está mordido pelo veneno da inveja. Queria era você não apenas ganhar o Nobel, como resolver de uma vez e para sempre o maldito problema do meu, do nosso e, principalmente, do seu telefone...
     Vamos ganhar juntos o Prêmio Nobel da Paz de Espírito? Quem se habilita?


Imagem: http://itsfranka.deviantart.com/art/Phone-161502443?q=boost%3Apopular%20old%20phone&qo=47

domingo, 1 de abril de 2012

Oração Salve Rainha

 
Salve, Rainha, mãe de misericórdia, 
vida, doçura, esperança nossa, salve! 
A vós bradamos os degredados filhos de Eva. 
A vós suspiramos, gemendo e chorando 
neste vale de lágrimas. 
Eia, pois, advogada nossa, 
esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei, 
e depois deste desterro mostrai-nos Jesus, 
bendito fruto do vosso ventre, 
Ó clemente, ó piedosa, 
ó doce sempre Virgem Maria 
V.: Rogai por nós santa Mãe de Deus 
R.: Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Imagem: Wikipédia.