sábado, 7 de abril de 2012

Crônica: Graham Bell e o Telefone / Autora: Maria Esther Torinho

     Quando Graham Bell inventou o telefone, já tinha gastado tudo que tinha com pesquisas para a fabricação do aparelho e o registro da patente.
     A essa altura, já andava muito nervoso,  porque não há nada melhor que a falta de dinheiro para mexer com os nervos de alguém. E assim, por causa do seu nervosismo, no ato mesmo da criação, o criador amaldiçoou a sua criatura :
     -Você cumprirá a sua missão neste mundo. Despertará a curiosidade e a admiração das pessoas, mas também será depredado e mutilado. Sofrerá grandes transformações e facilitará enormemente a vida no planeta, embora também vá servir como instrumento de sadismo, com o qual certas pessoas atormentarão os outros, de modo que o ódio destas últimas, às vezes, se voltará contra você.

     O telefone ouviu e calou-se.
    Assim como falou Graham Bell, assim se cumpriu. Até parece que ele estava sendo assessorado por um bruxo, embora eu sempre tenha pensado que os inventores só fossem assediados por gênios do Bem.
     E até hoje o telefone cumpre sua dupla missão.
     Através dele podemos saber as noticias das pessoas queridas, mas também podemos ficar sabendo que o nosso grande amor acabou de se casar.
     Podemos receber os cumprimentos pelo nosso aniversário, mas também receber o xingamento de alguém cuja linha se cruzou com a nossa.
     Podemos receber um maravilhoso convite da pessoa que amamos, ou ainda sermos longamente importunados por aquela pessoa "chata", que não quer perceber, o nosso desinteresse.

     Ele pode ser o instrumento para uma belíssima surpresa ou para sermos importunados durante a madrugada com piadas de mau gosto de gente desocupada.
     Podemos, em questão de segundos, falar com paises distantes, mas também podemos ficar muito tempo tentando falar para o mesmo bairro, sem conseguir; ou então, conseguimos uma ligação interurbana não desejada e temos que pagar ao menos os primeiros minutos do erro.
     Veja que o telefone é um aparelho tão útil que através dele a gente pode até reclamar à Companhia Telefônica pelo alto preço da conta, embora isso não de o menor resultado. O único resultado concreto é que no próximo mês a conta será ainda mais alta, porque as tarifas sobem constantemente.
     E por causa da má utilização do aparelho e da ganância das Companhias Telefônicas e das chamadas "Bolsas de'Telefone", por causa dos problemas que surgem com a utilização do mesmo, quem sofre é o coitado do aparelhinho.
     Em casa ele pode até ser xingado, mas na rua é depredado, mutilado; tanto aqui como lá ele às vezes é amado e outras, odiado como se fosse culpado pelos problemas das pessoas.
     Alguém conhece a formula para desfazer essa triste maldição, de modo a ficarmos somente com as vantagens que o telefone oferece ?

     Pois não é que outro dia sonhei que fazia uma ligação telefônica para Graham Bell? E tem mais: a fim de desfazer a maldição, eu e ele invocamos o gênio do mal que o assessorou no momento da invenção.
     Não me lembro muito bem como terminou o impasse, mas me lembro de logo em seguida ter recebido o Prêmio Nobel da Paz.
     E você que me lê, se está pensando que minto, eu lhe digo que você está mordido pelo veneno da inveja. Queria era você não apenas ganhar o Nobel, como resolver de uma vez e para sempre o maldito problema do meu, do nosso e, principalmente, do seu telefone...
     Vamos ganhar juntos o Prêmio Nobel da Paz de Espírito? Quem se habilita?


Imagem: http://itsfranka.deviantart.com/art/Phone-161502443?q=boost%3Apopular%20old%20phone&qo=47