domingo, 29 de julho de 2012

Citações / Diversos Autores

"O amor é um estado essencialmente transitório. É como uma enfermidade. Tem a sua fase de incubação, o seu período agudo, a sua declinação e a sua convalescença. É este um fato reconhecido e ratificado por todos os fisiologistas das paixões."
- Ramalho Ortigão.

"Há muitos modos de afirmar; há um só de negar tudo."
- Machado de Assis.

"A mais fiel de todas as companheiras da alma é a esperança."
- P. Antônio Vieira.

"O ciumento passa a vida procurando um segredo que vai destruir a sua felicidade."
- Oxenstiern.

"Não espere esperando. Espere vivendo!"
- Enrique Agilda.

"O amor começa por um sorriso e acaba por uma gargalhada."
- Berilo Neves.

"O homem tem regiões em seu pobre coração que ainda não existem. Só começarão a tomar forma quando nelas entrar o sofrimento." 
- Léon Bloy.

"De nada vale tentar ajudar aqueles que não se ajudam a si mesmos."
- Confúcio.

"A impunidade gera a audácia dos maus."
- Carlos Lacerda.

"O amor platônico é uma platônica tolice."
- Provérbio popular.

"Tudo perde quem perde o bom momento."
- Provérbio italiano.

"Somos maiores do que nossos medos e fracassos." 
- Pe. Sergio J. de Souza.

"Quando há certeza de um peixe, há esperança de pesca."
- Gonçalves Ribeiro.

"Os mais agradáveis amigos não fazem perguntas nem críticas."
- George Elliot.

"De que serve construir arranha-céus, se não há mais almas humanas para morar neles?"
- Érico Veríssimo.

"As mulheres pertencem aos mais atrevidos." 
- Machado de Assis.

"A riqueza é boa, mas a felicidade é melhor."
- Camilo Castelo Branco.

"Quem nasce em degrau do meio, só adquire experiência daí para cima e jamis será um completo."
- Monteiro Lobato.

"A mente adora imagens cujo significado é desconhecido, uma vez que o próprio significado da mente é desconhecido."
- René Magritte.

"O que sobe por favor deixa sempre rastro de humilhação."
- Coelho Neto.

sábado, 28 de julho de 2012

Poesia: Alegria / Autora: Fernanda de Castro

De passadas tristezas, desenganos
amarguras colhidas em trinta anos,
de velhas ilusões,
de pequenas traições
que achei no meu caminho...,
de cada injusto mal, de cada espinho
que me deixou no peito a nódoa escura

duma nova amargura...
De cada crueldade
que pôs de luto a minha mocidade...
De cada injusta pena
que um dia envenenou e ainda envenena
a minha alma que foi tranquila e forte...
De cada morte
que anda a viver comigo, a minha vida,
de cada cicatriz,
eu fiz
nem tristeza, nem dor, nem nostalgia
mas heroica alegria.

Alegria sem causa, alegria animal
que nenhum mal
pode vencer.
Doido prazer
de respirar!
Volúpia de encontrar
a terra honesta sob os pés descalços.

Prazer de abandonar os gestos falsos,
prazer de regressar,
de respirar
honestamente e sem caprichos,
como as ervas e os bichos.
Alegria voluptuosa de trincar
frutos e de cheirar rosas.

Alegria brutal e primitiva
de estar viva,
feliz ou infeliz
mas bem presa à raiz.

Volúpia de sentir na minha mão,
a côdea do meu pão.
Volúpia de sentir-me ágil e forte
e de saber enfim que só a morte
é triste e sem remédio.
Prazer de renegar e de destruir
                                     o tédio,

Esse estranho cilício,
e de entregar-me à vida como a
                                    um vício.

Alegria!
Alegria!
Volúpia de sentir-me em cada dia
mais cansada, mais triste, mais dorida
mas cada vez mais agarrada à Vida!

Imagem: Sabryna Keisy.

Cantiga: A Barata

A barata diz que tem
Sete saias de filó
É mentira da barata
Que ela tem é uma só

Rá, rá, rá
Ró, ró, ró
Ela tem é uma só

A barata diz que tem
Um sapato de fivela
É mentira da barata
O sapato é da irmã dela

Rá, rá, rá
Ró, ró, ró
Ela tem é uma só

A barata diz que tem
Um anel de formatura
É mentira da barata
Ela tem é casca dura

Rá, rá, rá
Ró, ró, ró
Ela tem é uma só

A barata diz que usa
Um perfume muito bom
É mentira da barata
Ela usa é Detefon

Para ver e ouvir: YouTube.
Imagem: http://www.flickr.com/photos/rundstedt/4486394914/

terça-feira, 24 de julho de 2012

Crônica: A Rainha das Microondas / Autor: Luis Fernando Veríssimo

     Sérgio convidou Cláudia para jantar e disse que ele mesmo faria a comida.
     - O meu nhoque é famoso.
     - Quero só ver, riu a Cláudia.
     - Quarta-feira?
     - Quarta-feira.
     Na quarta-feira, Sérgio abriu a porta para Cláudia de avental. Explicou que não, não acabara de decapitar uma galinha. O sangue no avental não era sangue, era o molho do nhoque. Pequeno acidente. Nada grave. Estava nervoso.
     Instalou Cláudia na sala, perguntou se ela já queria começar no vinho ou se preferia um aperitivo, ela perguntou se tinha Campari, não tinha, ela disse que vinho estava ótimo, ele serviu o vinho, ela perguntou se podia ajudar em alguma coisa, ele disse que não e voltou para a cozinha. Quando sentaram-se para jantar, ela perguntou:
     - Por que nervoso?
     - Você aqui, no meu apartamento? Comendo a minha comida? Espera aí um pouquinho.
     Cláudia sorriu. Pensou em dizer "Eu é que devia estar nervosa, sozinha, aqui no seu apartamento", mas não disse. Pensou em dizer "Eu nunca esperava ser convidada", mas não disse. Pensou em dizer "Eu não podia sonhar que você estava a fim de mim", mas não disse. Deixou o sorriso dizer tudo.
     - São de farinha.
     - Hein?
     - Os nhoques. Faço com farinha, acho que ficam mais leves. O engraçado é que nhoque de farinha é considerado mais fino, mas o nhoque de batata é mais caro. Como você está cansada de saber.
     - Sérgio...
     - Sim?
     - Posso te fazer uma pergunta?
     - Já sei o que você vai perguntar. O molho. Acertei? Esse gosto diferente do molho. É o meu segredo. Você não adivinha o que tem no meu molho. Ninguém adivinha.
     - Não, Sérgio. Eu ia perguntar...
     - Pergunte.
     - Por que a gente não esquece os nhoques e...
     Ela parou de falar quando viu a expressão no rosto dele. Surpresa e dor.
     Como se alguém tivesse lhe dado a notícia de uma morte na família. Uma tia favorita, atropelada.
     - Você não gostou.
     - O quê?
     - Do nhoque.
     - Não, adorei. Adorei!
     - Você não gostou do meu nhoque.
     - Não é isso, Sérgio. Eu...
     Ela não sabia como continuar a frase. "Eu ia sugerir que a gente esquecesse a mesa e fosse para a cama"? "Eu pensei que o nhoque fosse só um pretexto, ou uma mensagem cifrada, e ia pedir para pular as preliminares e ir logo para o que interessava"? "Eu entendi tudo errado"?
     Ele começou a tirar o prato da sua frente. Ela segurou o prato.
     - Sérgio, deixa. Eu amei o nhoque.
     Ele, puxando o prato:
     - Não precisa fingir.
     Ela, puxando o prato com as duas mãos:
     - É o melhor nhoque que eu já comi na minha vida, Sérgio. Juro.
     Ele, puxando o prato com força:
     - Eu vou servir outra coisa.
     Ela:
     - Não precisa!
     Ele largou o prato e voltou para o seu lugar. Durante algum tempo nenhum dos dois falou. Ela hesitou, depois recomeçou a comer o nhoque. Pensou em pedir desculpa, mas concluiu que, também não era o caso de se humilhar. Pensou em fazer "mmm" depois de cada garfada, mas achou que poderia ser acusada de ironia. Ele não estava comendo. Estava estendido na cadeira, desconsolado, olhando para a parede. Ela o magoara. Ela, decididamente, entendera tudo errado. Decidiu tentar uma reconciliação.
     - Qual é o segredo do seu molho, afinal?
     Ele sacudiu a cabaça, querendo dizer que não valia a pena.
     Só depois da sobremesa ele falou de novo.
     - O que você ia me perguntar?
     - Não, queria saber porque eu deixei você nervoso.
     - Porque eu sei que você cozinha muito bem. Não queria fazer feio.
     - Eu, cozinhar bem? Eu nem sabia como se fazia nhoque.
     - Mas me disseram que você...
     - Disseram errado.
     - Tinha até curso na França.
     - Iih, já vi tudo. Grande confusão. É a outra Cláudia.
     - A outra Cláudia?
     - Eu não sei fazer nada. Sou a rainha do microondas.
     De madrugada, ela acordou e viu que ele a olhava. Os dois sorriram. Ele perguntou:
     - Por que você ficou?
     Ela pensou em dizer "Para restaurar o meu ego." Pensou em dizer "Poque você fez aquela cara quando eu disse para esquecer os nhoques, e eu nunca aguentei ver cachorro abandonado". Pensou em dizer "Porque sou uma estudiosa dos abismos humanos, e você promete". Mas disse:
     - Porque mal posso esperar para provar o seu café da manhã.

Imagem: http://patchow.deviantart.com/

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Poesia: Paudarco / Autor: Caio Cid

Paudarco gigantesco! Pelos traços
lembra um deus milenar, rude e iracundo,
que detivesse, de repente, os passos
e ali ficasse contemplando o mundo.

Preso pela raiz ao chão profundo,
a fronde a farfalhar pelos espaços,
bebe a seiva nutriz no solo imundo,
mas para o céu é que levanta os braços.

Prometeu vegetal, brame, se estorce
e, por mais que proteste e se esforce
não se libera da imobilidade.

Acorrentado ao pedestal da serra,
embalde é o sonho de fugir à terra,
o anseio de galgar a imensidade.

Imagem: http://www.flickr.com/photos/81867772@N06/7499239852/

domingo, 22 de julho de 2012

Adivinhas

1- "Um convento bem fechado, que não tem sinos nem torres, com muitas freiras dentro, e todas fazendo doces."

2- "É um pássaro brasileiro e seu nome de trás para frente é igual."

3- "Qual é o meio de transporte que tem 6 motoristas, 1 passageiro e só faz a viagem de ida?"

4- "Por que a aranha precisa de você?"

5- "Qual a única pedra que fica em cima da água?"

6- "Qual é a coisa, qual é ela, começa na areia e acaba no mar?"

7- "O que é que passa a vida na janela e mesmo dentro de casa, está fora dela?

8- "Você sabe em que dia a plantinha não pode entrar no hospital?"

9- "Qual é a piada do fotógrafo?"

10- "Qual é o animal preferido do vampiro bêbado?"

11- "Tem cabeça e não tem pescoço; tem dentes sem ser de osso. O que é?"

12- "O que é, o que é, faz saltos sensacionais, mas nunca esteve em uma Olimpíada?"

13- "O gaúcho não achava o seu carro no estacionamento. Qual o modelo do carro?"

14- "O que é, o que é, dois redondos e um comprido, que entre as pernas anda metido?"

15- "Não duvides que sou casa, pois que todos moram nela; casa sou de peregrinos, mas sem porta nem janela. Dentro em mim reside paz, ser grata a todos procuro, para os estragos do tempo, sou asilo mais seguro. Aqui o enfermo descansa, o sábio é desenganado; acha castigo o soberbo, alívio o necessitado."

Respostas:
1-colmeia; 2-arara; 3-caixão; 4-porque ela é um aracneedyou; 5-pedra de gelo; 6-ar; 7-botão; 8-em dia de plantão; 9-ninguém sabe, pois ainda não foi revelada; 10-girafa; 11-alho; 12-sapateiro; 13-kadetche, 14-bicicleta; 15-sepultura.

sábado, 21 de julho de 2012

Música: Primeiros Erros / Compositor: Kiko Zambianchi

Meu caminho é cada manhã
Não procure saber onde estou
Meu destino não é de ninguém
E eu não deixo os meus passos no chão
Se você não entende não vê
Se não me vê não entende

Não procure saber onde estou
Se o meu jeito te surpreende
Se o meu corpo virasse sol
Se a minha mente virasse sol
Mas só chove, chove
Chove, chove

Se um dia eu pudesse ver
Meu passado inteiro
E fizesse parar de chover
Nos primeiros erros
Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria sol
Mas só chove, chove
Chove, chove

Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria ar
Mas só chove, chove
Chove, chove
Meu corpo viraria sol
Minha mente viraria sol
Mas só chove, chove
Chove, chove

Para ver e ouvir: YouTube.
Imagem: Sabryna Keisy.

Livro: Rosas com Amor / Autor: Chico Xavier (autores diversos)

1- "Vi o amor... É um anjo excelso
      Em lágrimas jubilosas...
      O peito guardando espinhos
      As mãos espalhando rosas..." (Cargélia Barreto)

2- "Felicidade dos homens,
      Do mais alto ao mais plebeu,
      É fazer sempre o melhor
      Da vida que recebeu." (Boris Freire)

3- "... O tempo é um mestre perfeito
      Que ensina, orienta, arruma
      E apaga qualquer problema
      Sem dizer palavra alguma." (Lucano dos Reis)

4- "Amar é sofrer sem queixa
      Para ver alguém feliz...
      Observa: o fruto é a soma
      Das lágrimas da raiz." (Marcelo Gama)

5- "O amor é o astro dos astros
      E, às vezes, belo e profundo,
      Sabe ser feliz de rastros
      Na pior lama do mundo." (Vital Bizarria)

6- "Quem ama recorda a Cristo,
      Sol de amor vencendo a treva,
      E, às vezes, o ente amado
      Recorda a cruz que se leva." (Coninho Bittencourt)

7- "As almas quando se amam
      Nem a morte as intimida,
      Regressam o berço novo
      E encontram-se noutra vida." (Antônio de Castro)

8- "Nossa vida lembra um livro
      Que a existência em si resume;
      A morte quando aparece
      É o índice do volume." (Márcio Linhares)

9- "... Passar por lama não é
      Fracasso de alma vencida,
      Fracasso é fazer da lama
      A razão da própria vida..." (José de Castro)

10- "Diante da Morte

      ... Ninguém se acaba na morte,
      Toda morte é uma saída
      Para aquilo que se busca
      Nas ânsias da própria vida.

      Quem foge ás lutas da vida
      Atira-se ao desamparo;
      Em qualquer parte do mundo,
      Rebeldia custa caro.

      Morte, luto, cinza e sombra...
      Não te aflijas!... Passarão...
      O dia nasce de novo
      Em meio da escuridão." (Fidelis Alves)

11- "No mundo, a que ainda me apego
        Por luminosos cadilhos,
        Toda mãe é um anjo cego
        Com respeito aos próprios filhos." (Irene Souza)

12- "Não te iludas... Todo dia,
        Vemos formas, faces, cromos,
        A fama é fotografia,
       Caráter é o que nós somos." (Milton da Cruz)

13- "A rosa por si revela
        Nos mais diversos caminhos
        Que uma flor pode ser bela
        Toda crivada de espinhos." (Cargélia Barreto)

14- "De exemplos de amor revejo
        O maior que tive à porta:
        A rosa quando sustenta
        O jardineiro que a corta." (Silvio Fontoura)

15- "A morte não vence a vida
       Por muito que a desarrume.
       Tomba a rosa fenecida,
       O céu recolhe o perfume." (Auta de Souza)

Imagem: http://livrosdechicoxavier.blogspot.com.br/2012/02/download-livro-rosas-com-amor.html

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Oração à Nossa Senhora do Bom Parto

Ó Maria Santíssima, vós, por um privilégio especial de Deus, fostes isenta da mancha do pecado original, e devido a este privilégio não sofrestes os incômodos da maternidade, nem ao tempo da gravidez e nem no parto; mas compreendeis perfeitamente as angústias e aflições das pobres mães que esperam um filho, especialmente nas incertezas do sucesso ou insucesso do parto.

Olhai por mim, vossa serva, que na aproximação do parto, sofro angústias e incertezas. Dai-me a graça de ter um parto feliz. Fazei que meu bebê nasça com saúde, forte e perfeito. Eu vos prometo orientar meu filho, sempre pelo caminho certo, o caminho que vosso Filho, Jesus, traçou para todos os homens, o caminho do bem.

Virgem, Mãe do Menino Jesus, agora me sinto mais calma e mais tranquila porque já sinto a vossa maternal proteção.

Nossa Senhora do Bom Parto, rogai por mim!
Amém.

Imagem: http://www.elo7.com.br/relicario-de-nossa-senhora-do-bom-parto/dp/887AB

Acróstico: Minha razão de viver / Autora: Santher

Felicidade maior que se
Instalou em minha vida...
Luz que ilumina e me mostra o
Horizonte a seguir... Abrigo
Onde repouso meus
Sonhos, sem nunca pensar em desistir

Imagem: http://photoxyz.com/

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Mitologia grega: Calisto

     A ninfa Calisto era uma virgem que fez voto de castidade para seguir a deusa Diana e era a companhia preferida da divindade. Todas as manhãs as duas embrenhavam-se mata adentro para caçar, com suas aljavas prateadas penduradas às belas costas, e seus resistentes coturnos de couro a lhes protegerem os seus delicados pés.
     Quando exaustas, banhavam as duas os seus corpos nus e suados nas águas transparentes do rio que manava da própria rocha, ou descansavam na relva verde e macia. As outras ninfas, contudo, sempre invejaram a preferência que a deusa dava à bela Calisto.
     Júpiter, entretanto, também a viu lá do Olimpo e logo estava loucamente apaixonado por ela. Sabedor de que Diana a havia alertado sobre os ardis dos deuses e dos homens para conquistar as mulheres, Júpiter astutamente se disfarçou de Diana e seduziu Calisto, a qual lhe deu um filho chamado Arcas. As despeitadas ninfas logo trataram de fazer essa novidade chegar aos ouvidos de Diana, que a afastou imediatamente do seu séquito de ninfa virgens.
     Mas havia mais alguém visando à pobre Calisto lá de cima do Olimpo: era a ciumenta Juno, esposa de Júpiter, a qual, tão logo soube da traição do marido, disse:
     - Vou acabar logo com sua beleza e fascínio, transformando-a numa ursa horrenda e desajeitada.
     - Céus, o que está havendo comigo? - exclamou Calisto, ao sentir seu corpo começar a cobrir-se de um espesso e amarronzado pelo.
     A pobre ninfa olhou, aterrorizada, para os seus membros peludos, sentindo que sua própria boca aumentava de tamanho, enchendo-se de presas enormes.
     "Oh, se ao menos tivesse me transformado num elegante felino!", pensou ela, tentando dar alguns saltos ágeis; mas um urso pode ser tudo menos elegante, e por isto caiu logo de quatro sobre a relva, com todo o seu imenso peso.
     Seu espírito, contudo, permanecera ileso. Andava pelos mesmos lugares que antes caçava, olhando as ninfas se divertirem no bosque com Diana.
     Às vezes Calisto vagava noites inteiras ao redor de sua casa, esperando ver seu filho, ou mesmo para fugir da escuridão que assolava a floresta na noite apavorante e ruidosa. Mas ela agora não podia mais conviver no meio dos homens, e seu espírito não admitia a possibilidade de ter de conviver com as embrutecidas feras.
     O tempo passou, e seu filho Arcas cresceu, transformando-se num belo jovem. Um dia resolveu caçar - afinal, já tinha idade para tanto, pensava ele - e entrou na floresta onde sua mãe vivia escondida. A vingativa Juno, entretanto, que ainda guardava rancor no coração, esfregou as mãos.
     - Chegou a hora da realização do último ato da tragédia!
     Arcas estava de arco em punho quando viu surgir detrás de uma árvore a ursa gigantesca, que nem desconfiava, é claro, tratar-se de sua própria mãe.
     - Meu filho querido, enfim você veio me encontrar! - tentou dizer Calisto, mas o que saiu de sua boca foi apenas um terrível rugido que encheu o jovem de pavor.
     Retesando, então, a corda de seu arco, o jovem despediu a sua velosíssima seta.
     Tudo teria terminado da pior maneira possível se Júpiter, penalizado, não tivesse interferido no último instante, arrebatando Calisto e seu filho daquele cenário e colocando-os nos céus, como as constelações da Ursa Maior e da Ursa Menor.
     O ódio de Juno não conheceu limites diante de tal afronta. Enfurecida, resolveu ir se queixar a seus pais adotivos, Tétis e Netuno.
     - Já não posso mais viver com dignidade entre os deuses, eis que meu marido me afronta de maneira vil, fazendo com que eu seja suplantada pela amante de meu marido e, ainda, o seu filho!
     - Não podemos acreditar em tamanha afronta! - exclamaram Tétis e Netuno.
     - Então olhem para o céu durante a noite - respondeu Juno, lavada em pranto - e verão meus dois inimigos límpidos e brilhantes lá no alto, a debocharem de minha honra ultrajada! Quem hesitará em me vilipendiar daqui por diante, quando é este o prêmio de todo aquele que ousa me afrontar? Não a considerei digna de se revestir da forma humana, e agora ela é exaltada entre as estrelas.
     Infelizmente para Juno, desta vez a sua ira teve de se satisfazer com uma bem pequena recompensa, pois a única providência que Netuno pôde tomar foi a de nunca permitir que as constelações da Ursa Maior e Ursa Menor pudessem submergir no oceano, tal como acontece com as demais estrelas, sendo obrigadas a fazer seu curso em círculos ininterruptos sobre os céus.

Imagem: Wikipédia.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Poesia: Até Amanhã / Autor: Noel Rosa


Até amanhã, se Deus quiser
Se não chover eu volto
Pra te ver, ó mulher
De ti gosto mais que outra qualquer
Não vou por gosto
O destino é quem quer

Adeus é pra quem deixa a vida
É sempre na certa que eu jogo
Três palavras vou dizer por despedida
Até amanhã, até já, até logo

O mundo é um samba que eu danço
Sem nunca sair do meu trilho
Vou cantando o teu nome sem descanso
Pois do meu samba tu és o estrilho

Imagem: http://sheiladelacroix.deviantart.com/

Citações / Diversos Autores

"Amigos são aqueles que, mesmo longe um do outro, não se separam nunca."
- ?

"O que tá feito, não pode ser desfeito, o que importa agora é daqui para frente."

- ?

"O desanimo aumenta os nossos males em vez de os diminuir e impede-nos de os conhecer."

- Sérgio Tremont.

"O medo é o pior dos conselheiros."

- Alexandre Herculano.

"O que é necessário não é a vontade de acreditar, mas o desejo de descobrir, o que é justamente o oposto."

- Bertrand Russell.

"No homem gasto, vão as ilusões e fica a experiência."

- Camilo Castelo Branco.

"Não se pode ensinar tudo a alguém, pode-se apenas ajudá-lo a encontrar por si mesmo."

- Galileu Galilei.

"As almas infelizes envelhecem cedo."

- Camilo Castelo Branco.

"Lembrai-vos de que insignificâncias causam a perfeição, e a perfeição não é uma insignificância." 

- Miguel Ângelo.

"A felicidade não é uma estação onde chegamos, mas uma maneira de viajar."

- Rimbuck.

"... o passado aconteceu, foi bom, mas não volta mais. Agora a gente tá noutra. Você está na beira de uma escada e tem muitos degraus para subir. Cada degrau é uma tremenda vitória que tem que ser muito comemorada. Olhar para trás não adianta. Aconteceu."

- Marcelo Paiva.

"Os males que tornam os humanos infelizes são fruto de sua própria e livre escolha." 

- ?

"Assim como o ferro se consome com a ferrugem, assim o invejoso se está consumindo com a inveja."

- Frei Luís de Souza.

"Não é louco quem corre atrás de uma esperança, porque a esperança é o fim de nossa própria vida."

- Menotti Del Picchia.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Conto: Rapunzel / Autores: Irmãos Grimm

     Era uma vez um casal que há muito tempo desejava inutilmente ter um filho. Os anos se passavam, e seu sonho não se realizava. Afinal, um belo dia, a mulher percebeu que Deus ouvira suas preces. Ela ia ter uma criança!
     Por uma janelinha que havia na parte dos fundos da casa deles, era possível ver, no quintal vizinho, um magnífico jardim cheio das mais lindas flores e das mais viçosas hortaliças. Mas em torno de tudo se erguia um muro se erguia um muro altíssimo, que ninguém se atrevia a escalar. Afinal, era a propriedade de uma feiticeira muito temida e poderosa.
     Um dia, espiando pela janelinha, a mulher se admirou ao ver um canteiro cheio dos mais belos pés de rabanete que jamais imaginara. As folhas eram tão verdes e fresquinhas que abriram seu apetite. E ela sentiu um enorme desejo de provar os rabanetes.
     A cada dia o desejo aumentava mais. Mas ela sabia que não havia jeito de conseguir o que queria e por isso foi ficando triste, abatida e com um aspecto doentio, até que um dia o marido se assustou e perguntou:
     - O que está acontecendo contigo, querida?
     - Ah! - respondeu ela. - Se não comer um rabanete do jardim da feiticeira, vou morrer logo, logo!
     O marido, que a amava muito, pensou: "Não posso deixar minha mulher morrer... Tenho que conseguir esses rabanetes, custe o que custar!"
     Ao anoitecer, ele encostou uma escada no muro, pulou para o quintal vizinho, arrancou apressadamente um punhado de rabanetes e levou para a mulher. Mais que depressa, ela preparou uma salada que comeu imediatamente, deliciada.
     Ela achou o sabor da salada tão bom, mas tão bom, que no dia seguinte seu desejo de comer rabanetes ficou ainda mais forte. Para sossegá-la, o marido prometeu-lhe que iria buscar mais um pouco. Quando a noite chegou, pulou novamente o muro mas, mal pisou no chão do outro lado, levou um tremendo susto: de pé, diante dele, estava a feiticeira.
     - Como se atreve a entrar no meu quintal como um ladrão, para roubar meus rabanetes? - perguntou ela com os olhos chispando de raiva. - Vai ver só o que te espera!
     - Oh! Tenha piedade! - implorou o homem. - Só fiz isso porque fui obrigado! Minha mulher viu seus rabanetes pela nossa janela e sentiu tanta vontade de comê-los, mas tanta vontade, que na certa morrerá se eu não levar alguns!
     A feiticeira se acalmou e disse:
     - Se é assim como diz, deixo você levar quantos rabanetes quiser, mas com uma condição: irá me dar a criança que sua mulher vai ter. Cuidarei dela como se fosse sua própria mãe, e nada lhe faltará.
     O homem estava tão apavorado, que concordou. Pouco tempo depois, o bebê nasceu. Era uma menina. A feiticeira surgiu no mesmo instante, deu a criança o nome de Rapunzel e levou-a embora.
     Rapunzel cresceu e se tornou a mais linda criança sob o sol. Quando fez doze anos, a feiticeira trancou-a no alto de uma torre, no meio de um floresta.
     A torre não possuía nem escada, nem porta: apenas uma janelinha, no lugar mais alto. Quando a velha desejava entrar, ficava embaixo da janela e gritava:
     - Rapunzel, Rapunzel! Joga abaixo tuas tranças!
     Rapunzel tinha magníficos cabelos compridos, finos como fios de ouro. Quando ouvia o chamado da velha, abria a janela, desenrolava as tranças e jogava-as para fora. As tranças caíam vinte metros abaixo, e por elas a feiticeira subia.
     Alguns anos depois, o filho do rei estava cavalgando pela floresta e passou perto da torre. Ouviu um canto tão bonito que parou, encantado. Rapunzel, para espantar a solidão, cantava para si mesma com sua doce voz.
     Imediatamente o príncipe quis subir, procurou uma porta por toda parte, mas não encontrou. Inconformado, voltou para casa. Mas o maravilhoso canto tocara seu coração de tal maneira que ele começou a ir para a floresta todos os dias, querendo ouvi-lo outra vez.
     Em uma dessas vezes, o príncipe estava descansando atrás de uma árvore e viu a feiticeira aproximar-se da torre e gritar: "Rapunzel, Rapunzel! Joga abaixo tuas tranças!". E viu quando a feiticeira subiu pelas tranças.
     "É essa a escada pela qual se sobe?", pensou o príncipe. "Pois eu vou tentar a sorte...".
     No dia seguinte, quando escureceu, ele se aproximou da torre e, bem embaixo da janelinha gritou:
     - Rapunzel, Rapunzel! Joga abaixo tuas tranças!
     As tranças caíram pela janela abaixo, e ele subiu.
     Rapunzel ficou muito assustada ao vê-lo entrar, pois jamais tinha visto um homem. Mas o príncipe falou-lhe com muita doçura e contou como seu coração ficara transtornado desde que a ouvira cantar, explicando que não teria sossego enquanto não a conhecesse.
     Rapunzel foi se acalmando, e quando o príncipe lhe perguntou se o aceitava como marido,  reparou que ele era jovem e belo, e pensou: "Ele é mil vezes preferível à velha senhora...". E, pondo a mão dela sobre a dele, respondeu:
     - Sim! Eu quero ir com você! Mas não sei como descer... Sempre que vier me ver, traga uma meada de seda. Com ela vou trançar uma escada e, quando ficar pronta, eu desço, e você me leva no seu cavalo.
     Combinaram que ele sempre viria ao cair da noite, porque a velha costumava vir durante o dia. Assim foi, e a feiticeira de nada desconfiava até que um dia Rapunzel, sem querer, perguntou a ela:
     - Diga-me, senhora, como é que lhe custa tanto subir, enquanto o jovem filho do rei chega aqui num instantinho?
     - Ah, menina ruim! - gritou a feiticeira. - Pensei que tinha isolado você do mundo, e você me engana!
     Na fúria, agarrou Rapunzel pelos cabelos e esbofeteou-a. Depois, com a outra mão, pegou uma tesoura e tec, tec! Cortou as belas tranças, largando as no chão. Não contente, a malvada levou a pobre menina para um deserto e abandonou-a ali, para que sofresse e passasse todo tipo de privação.
     Na tarde do mesmo dia em que Rapunzel foi expulsa, a feiticeira prendeu as longas tranças num gancho da janela e ficou esperando. Quando o príncipe veio e chamou: "Rapunzel, Rapunzel! Joga abaixo tuas tranças!", ela deixou as tranças caírem para fora e ficou esperando.
     Ao entrar, o pobre rapaz não encontrou sua querida Rapunzel, mas sim a terrível feiticeira. Com um olhar chamejante de ódio, ela gritou zombeteira:
     - Ah, ah! Você veio buscar sua amada? Pois a linda avezinha não está mais no ninho, nem canta mais! O gato apanhou-a, levou-a, e agora vai arranhar os seus olhos! Nunca mais você verá Rapunzel! Ela está perdida para você!
     Ao ouvir isso, o príncipe ficou fora de si e, em seu desespero, se atirou pela janela. O jovem não morreu, mas caiu sobre espinhos que furaram seus olhos e ele ficou cego.
     Desesperado, ficou perambulando pela floresta, alimentando-se apenas de frutos e raízes, sem fazer outra coisa que se lamentar e chorar a perda da esposa tão querida.
     Passaram-se os anos. Um dia, por acaso, o príncipe chegou ao deserto no qual Rapunzel vivia, na maior tristeza, com seus filhos gêmeos, um menino e uma menina, que haviam nascido ali.
     Ouvindo uma voz que lhe pareceu familiar, o príncipe caminhou na direção de Rapunzel. Assim que chegou perto, ela logo o reconheceu e se atirou em seus braços, a chorar.
     Duas das lágrimas da moça caíram nos olhos dele e, no mesmo instante, o príncipe recuperou a visão e ficou enxergando tão bem quanto antes.
     Então, levou Rapunzel e as crianças para o seu reino, onde foram recebidos com grande alegria. Ali viveram felizes e contentes.

Imagem: Wikipédia.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Música: Encontros e Despedidas / Compositores: Milton Nascimento e Fernando Brant

Mande notícias do mundo de lá
diz quem fica
me dê um abraço, venha me apertar
tô chegando
Coisa que gosto é poder partir
sem ter planos
Melhor ainda é poder voltar 
quando quero

Todos os dias é um vai e vem
A vida se repete na estação
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio só olhar
Tem gente a sorrir e a chorar

E assim chegar e partir
são só dois lados
da mesma viagem
O trem que chega
é o mesmo trem da partida
A hora do encontro é também despedida
A plataforma dessa estação
é a vida desse meu lugar
é a vida desse meu lugar
é a vida...

Para ver e ouvir: YouTube.
Imagem: http://umavidanovaparaumaananova.blogspot.com.br/2011/08/razao-estacao-vida-inteira.html