quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Poesia: Versos inscritos numa taça feita de um crânio / Autor: Lord Byron

Não recues! De mim não foi-se o espírito...
Em mim verás - pobre caveira fria -
Único crânio que, ao invés dos vivos,
Só derrama alegria.

Vivi! Amei! Bebi qual tu: na morte
Arrancaram da terra os ossos meus.
Não me insultes! Empina-me!... que a larva
Tem beijos mais sombrios do que os teus.

Mais vale guardar o sumo da parreira
Do que ao verme do chão ser pasto vil;
Taça - levar dos Deuses a bebida,
Que o pasto de réptil.

Que este vaso, onde o espírito brilhava,
Vá nos outros o espírito acender.
Ai! Quando um crânio já não tem mais cérebro
Podeis de vinho o encher!

Bebe, enquanto inda é tempo! Uma outra taça,
Quando tu e os teus fordes nos fossos,
Pode do abraço te livrar da terra
E ébria folgando profanar teus ossos.

E por que não? Se no correr da vida
Tanto mal, tanta dor aí repousa?
É bom fugindo à podridão do lado
Servir na morte enfim p´ra alguma coisa!...

Imagem: http://25.media.tumblr.com/tumblr_m9ciuivWMK1rsfz74o1_500.jpg