quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Acróstico de Navidad

Navidad, Navidad, que alegría yo siento en mi corazón, porque recuerdo aquel día cuando nació mi Señor.

A los pastores del campo un ángel les anunció: "No temáis, os traigo nuevas vuestro Mesías nació."

Vinieron sabios de Oriente guiados por una estrella, a adorar a Jesús Niño porque es Dios de cielo y tierra.

Inocente, dulce y puro es mi querido Jesús. Admirable, Consejero, el Príncipe de la luz.

Dame, Señor de tus fuerzas para amarte cada día y decir por todas partes que aquel Niño es el Mesías.

Aquel Niño del pesebre más tarde fue despreciado,  y colgado en una cruz allá en el Monte Calvario.

Dios único y Soberano ayúdame a serte fiel, para que al fin de esta vida tu rostro yo pueda ver.

Imagem: http://kiiw.deviantart.com/

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Crônica: E eis aí - Au! Au! - o Mundo Cão / Autor: Ivan Lessa

     Lá por volta de 1962, entrou para o trivial ligeiro de nosso léxico a expressão "mundo cão". Era quando queríamos nos referir a qualquer bizarria, que poderia se referir desde a uma nota lida em jornal espalhafatoso.
     Um homem matava, esfolava e comia o colega de trabalho na oficina. Mundo cão. Au! Au!
     Os pobres com sua pobreza: mundo cão. Tudo devido a dois filmes italianos com esse título que andaram fazendo sucesso mundo afora. Documentais. Exploravam o inusitado (não, não havíamos visto nada) e taca na tela mulheres africanas correndo atrás de presas exóticas ou para degluti-las ou pelo mero esporte beirando o olímpico de perseguir gente.
     E cemitérios para cães. E culinária americana na base de comer formiga, barata, larva ou minhoca. Um espasmo de nojo na platéia repleta e o gerente do cinema sorria satisfeito. Au! Au!
     Sabíamos que o mundo tinha dessas coisas, mas a televisão não mostrava e a televisão e a informática não eram mais que um par de brilhos nos olhos de quem ainda não bolara o ponto a que chegamos 50 anos depois. Vale tudo e tem de tudo para todos os gostos.
     Ninguém mais fala em "mundo cão". Limitamo-nos a ganir com o resto de nossos semelhantes. Somos todos documentais italianos agora. Já vimos de tudo e há, nesses assuntos mais esotéricos, ou um canal de TV ou um website especializado. Au! Au!
     As nossas estranhezas viraram lugar-comum e chavão. Nada do que é irrazoavelmente desumano nos é estranho. Pegamos intimidade com o inusitado.
     Não farei um desfile, mas abra comigo um jornal, que seguramente noticiaram pelos 7 ventos e 4 mares, ou vice-versa, essa notícia do rapaz japonês, é claro (por que "claro"?), que tem por nome Mao Sugiyama, e 22 aninhos de idade, que cortou fora os penduricalhos de sua genitália, cozinho e serviu para seletos gastrônomos de Tóquio.
     Não ganhou um único Uau! e faturou pouquinho. A carrocinha do Tempo acabou com os cães de 50 anos atrás. Foram-se os cães, ficou esse mundão que aí está...
     E metade dele desabalado por aí com uma tocha portanto a lendária tocha olímpica das Olimpíadas armada pelos nazistas nos Jogos Olímpicos de 1936. Não gostam de lembrar, mas que foi bolação do atilado sr. dr. Joseph Goebbles, ministro da propaganda do governo de outro sr. dr., este Adolf Hitler por nome.
     Correm com um símbolo nazista nas mãos e querem recorde no salto em altura e no tríplice, entre outros. Au! Au! e Bow Wow! como se late propriamente em inglês.
     Esta semana, na televisão, que nos aperta em seus braços fortes, lá estava a Marcha das Vadias ocorrida no Brasil, cujo objetivo não era outro senão mostrar que, numa sociedade machista, somos todos, digo, todas, umas boas vagabundas com muita honra. Au! Au!
     Passando a um patamar literário, que nem só de comer barata vive o homem, principalmente o homem brasileiro, é notícia de destaque que a editora Companhia das Letras está editando a terceira versão da, dizem, obra prima de James Joyce, Ulysses, desta vez com pissilone, o que deve mudar tudo, sem dúvida. 1112 páginas de fazer corar um Carlos Zéfiro de pedra, quero crer.
     Gente pretensiosa que não acaba mais afirmando que o notável artifício, que na verdade constitui de um único alçapão ocultando outros alçapões, é uma obra prima de humor e que dois ou três livrinhos poderiam servir como guia para sua melhor degustação.
     A tradução anterior foi feita por Antônio Hauaiss, e era, do começo ao fim, idiohauaissografia impagável, com destaque para um "Sins" final e, tentando se esconder lá no meio, a frasezinha "não nado neném nídulo tinha", que foi como ilustre imortal dicionarista decidiu que era a tradução mais correta para before born babe  bliss had. E o resto é Au! Au!, sim, senhor.
     A Cia. das Letras, para dar um plá de facilitação para o leitor em potencial, ou impotente, optou por uma capa labirintina de difícil leitura (é, eles começam a erguer empecilhos logo na capa e depois juram que aquele milhar e tanto de páginas não é mais que gozação e pleno humor) que mais parece bizantino invólucro incrementado de videogame para maiores de 18 anos.
     O Mundo Cão aí está a ganir em nossas fuças e a gente nem quer saber. Au! Au!

Imagem: http://theartyst.deviantart.com/

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Mitologia romana: O nascimento e glória de Saturno

     Numa era muito antiga - tão antiga que antes dela só havia o caos - o mundo era governado pelo Céu, filho da Terra. Um dia, este, unindo-se à própria mãe, gerou uma raça de seres prodigiosos, chamados Titãs. Ocorre que o Céu - deus poderoso e nem um pouco clemente - irritou-se, certa feita, com as afrontas que imaginava receber de seus filhos. Por isto, decidiu encerrá-los nas profundezas do ventre da própria esposa, à medida que eles iam nascendo.
     - Aí ficarão para sempre, no ventre da Terra, para que nunca mais ousem desafiar a minha autoridade! - exclamou, colericamente, o deus soberano.
     A Terra, subjugada, teve de segurar em suas entranhas, durante muitas eras, aquelas turbulentas criaturas e suportar, ao mesmo tempo, o assédio insaciável e ininterrupto do marido. Um dia, porém, farta de tanta tirania, decidiu a mãe do mundo que um de seus filhos deveria libertá-la deste tormento. Para tanto escolheu Saturno, o mais jovem de seus rebentos.
     - Saturno, meu filho - disse a Terra, lavada em pranto - somente você poderá libertar-me da tirania de seu pai e conquistar para si o mando supremo do Universo!
     O jovem e ambicioso Titã sentiu um frêmito percorrer suas entranhas.
     - Diga, minha mãe, o que devo fazer para livrá-la de tamanha dor! - disse Saturno, disposto a tudo para chegar logo à segunda parte do plano.
     A Terra, erguendo uma enorme foice de diamante, entregou-a ao filho.
     "Tome e use-a da melhor maneira que puder!", disseram seus olhos, onde errava um misto de vergonha e esperança.
     Saturno apanhou a foice e não hesitou nem um instante: dirigiu-se logo para o local onde seu velho pai descansava. Ao chegar no azulado palácio erguido nos céus, encontrou-o ressonando sobre um grande leito acolchoado de nuvens.
     - Dorme, o tirano... - sussurrou baixinho.
     Saturno, depois de examinar por algum tempo o rosto do impiedoso deus, empunhou a foice e pensou consigo mesmo: "Realmente... demasiado soturno."
     E fez descer o terrível gume, logo abaixo da cintura do pobre Céu.
     Um grito terrível, como jamais se ouvira em todo o Universo, ecoou  na abóbada celestial, despertando toda a criação.
     - Quem ousou levantar mão ímpia contra o soberano do mundo? - gritou o Céu, com as mãos postas sobre a ensanguentada virilha.
     - Isto é pelos tormentos que infligiu à minha mãe, bem como a mim e a meus irmãos - respondeu Saturno, ainda a brandir a foice manchada de sangue.
     Os testículos do Céu, arrancados pelo golpe certeiro da foice, voaram longe e foram cair no oceano, com um baque tremendo. Em seguida, o deus ferido caiu, exangue, sobre seu leito acolchoado, sem poder dizer mais nada. As nuvens que lhe serviam de leito tingiram-se de um vermelho tal que durante o dia inteiro houve como que um infinito e escarlate crepúsculo. Saturno, eufórico, foi logo contar a proeza à sua mãe.
     - Isto é que é filho - disse a Terra, abraçada ao jovem parricida. Imediatamente foram soltos todos os outros Titãs, irmãos de Saturno. Este, por sua vez, recebeu a sua recompensa: era agora o senhor inconteste de todo o Universo.
     Quando a noite caiu, entretanto, escutou-se uma voz espectral descer da grande cúpula côncava dos céus:
     - Ai de você, rebento infame, que manchou a mão no sangue do seu próprio pai! Do mesmo modo que usurpou o mando supremo, irá também um dia perdê-lo...
     Saturno assustou-se a princípio, mas em seguida ordenou a seus pares que recomeçassem os festejos.
     - Ora, ameaçazinhas... Deus morto, deus posto! - exclamou, com um riso talhado no rosto.
     Mas aquela profecia, irritante como um mosquito, ficará ecoando na sua mente, até que Saturno, por fim, reconheceu-se também meio soturno:
     - Será que uma vitória, neste mundo, não pode ser nunca completa?

Imagem: Wikipédia.

Poesia: Soneto do Amor Total / Autor: Vinícius de Moraes

Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Imagem: Sabryna Keisy.

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Livro: No Jardim da Sabedoria / Autor: Almir Ribeiro Guimarães

1- "O amor é fiel ou não é amor. Se for passageiro é emoção ou paixão. Emoções e paixões podem hoje existir e amanhã desaparecer. O verdadeiro amor tem sabor de eternidade."

2- "Felizes os que sabem rir de si mesmos. Terão sempre tema para diversão. Felizes aqueles que sabem distinguir uma montanha de um montículo de terra. Serão poupados de muitos aborrecimentos."

3- "O amor manda que eu silencie os defeitos de outrem, mesmo se estes forem verdadeiros."

4- "O amor é paciente. Sabe esperar o amanhã para dar uma resposta. Sabe esperar para amanhã a compreensão de um gesto mal compreendido hoje."

5- "Felizes os que são capazes de descansar e dormir sem buscar muitas desculpas. São sábios."

6- "Amar é ter vontade de continuar a caminhada para fazer alguém feliz."

7- "Felizes vós que sabeis olhar seriamente as coisas pequenas e calmamente as coisas sérias. Ireis longe na vida."

8- "Felizes os que pensam antes de agir e que rezam antes de pensar. Evitaram muitas tolices."

9- "Felizes os que sabem calar e escutar. Aprenderão coisas novas."

10- "Felizes, sobretudo, vós que sabeis reconhecer o Senhor em todos aqueles que encontrardes. Encontrareis então a verdadeira Lua e a verdadeira Sabedoria."

11- "Não existe experiência mais dolorosa que não amar ninguém e por ninguém ser amado. Precisamos do ar puro do amor para sobreviver."

12- "O segredo do amor está em simplesmente amar sem esperar qualquer tipo de retribuição. Consiste em continuar a querer bem, mesmo na certeza de que não haja retribuição. Nunca nos arrependeremos de ter querido bem."

13- "Tenhamos alguém para querer bem e alguma coisa para fazer. Este é o segredo de uma velhice sempre jovem. Quem ama não envelhece."

14- "Felizes se souberdes admirar um sorriso e esquecer uma 'careta'. Vossa estrada será ensolarada."

15- "Felizes sereis vós se fordes capazes sempre de interpretar com benevolência as atitudes dos outros, mesmo se as aparências forem contrárias. Podereis fazer passar por ingênuos, mas a caridade tem esse preço."

16- "O amor pede que eu desculpe os gestos ingratos e as negligências repetidas."

17- "Felizes os que são atentos aos apelos dos outros, sem se considerarem indispensáveis. Serão semeadores de alegria."

18- "Não vivamos no passado, nem no futuro. Vivamos da melhor maneira possível o minuto presente com toda novidade e cheios de esperança."

19- "Felizes os que são suficientemente inteligentes para não se levarem por demais a sério. Serão apreciados em seu ambiente."

20- "Nada mais belo do que a solidariedade. Sentir-se só na caminhada da vida pode ser desesperador. Saber que existem rostos amigos, mãos que esperam nossas mãos, que juntos descobriremos caminhos novos e que juntos novas portas abriremos é extremamente consolador."

Imagem: http://www.skoob.com.br/livro/25819

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Citações / Diversos Autores

"O poeta é o traficante da liberdade."
- Júlio Barroso.

"A vida é toda ela memória, exceto por um momento presente indo embora tão rápido que você mal percebe ele ir."
- Tennessee Williams.

"É livre quem aprendeu a livrar-se daquilo que o impede justamente de ser livre."
- Wilson Chagas.

"Há aparências de dureza que ocultam tesouros de sensibilidade e de afeto."
- Júlio Diniz.

"Se destruíssemos todos os sonhos dos homens, a terra perderia suas formas e suas cores e nós adormeceríamos em uma cinzenta estupidez."
- Anatole France.

"O estilo é o espelho da alma."
- Miguel Couto.

"Os sábios educam pelo exemplo e nada há que avassale o espírito humano mais suave e profundamente do que o exemplo."
- Malba Tahan.

"A filosofia está escrita nesse grande livro - o Universo - que permanece continuamente aberto para todos nós."
- Galileu Galilei.

"Aquilo que mais secretamente tememos sempre acaba acontecendo."
- Albert Camus.

"Viajar é nascer e morrer a cada momento."
- Victor Hugo.

"As pessoas não entendem o que é a morte, porque a morte não é para ser entendida, é para ser apenas a morte. A morte é para ser vivida."
- Marcelo Paiva.

"Renunciar ao ódio, a vingança, aos vícios, aos ressentimentos, a inveja, eis o grande heroísmo."
- ?

"Rico é aquele que é pobre de necessidades."
- Carlos Romero.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Fábula: O Leão e o Ratinho / Autor: Esopo

     Um leão, cansado de tanto caçar, dormia espichado à sombra de uma boa árvore. Vieram uns ratinhos passear em cima dele e ele acordou.
     Todos conseguiram fugir, menos um, que o leão prendeu embaixo da pata. Tanto o ratinho pediu e implorou que o leão desistiu de esmagá-lo e deixou que fosse embora.
     Algum tempo depois, o leão ficou preso na rede de uns caçadores. Não conseguia se soltar, e fazia a floresta inteira tremer com seus urros de raiva.
     Nisso, apareceu o ratinho. Com seus dentes afiados, roeu as cordas e soltou o leão.

Uma boa ação ganha outra.

Imagem: http://feyrah.deviantart.com/

sábado, 3 de novembro de 2012

Lenda africana: O nascimento de Oxum

     Um dia Orunmilá saiu de seu palácio para dar um passeio acompanhado de todo o seu séquito. Em certo ponto deparou com outro cortejo, do qual a figura principal era uma mulher muito bonita.
     Orunmilá ficou impressionado com tanta beleza e mandou Exu, seu mensageiro, averiguar quem era ela. Exu apresentou-se ante a mulher com todas as reverências e falou que seu senhor, Orunmilá, gostaria de saber seu nome. Ela disse que era Iemanjá, rainha das águas e esposa de Oxalá.
     Exu voltou à presença de Orunmilá e relatou tudo o que soubera da identidade da mulher. Orunmilá, então, mandou convidá-la ao seu palácio, dizendo que desejava conhecê-la. Iemanjá não atendeu o seu convite de imediato, mas um dia foi visitar Orunmilá.
     Ninguém sabe ao certo o que se passou no palácio, mas o fato é que Iemanjá ficou grávida depois da visita a Orunmilá. Iemanjá deu à luz a uma linda menina. Como Iemanjá já tivera muitos filhos com seu marido, Orunmilá enviou Exu para comprovar se a criança era mesmo filha dele. Ele devia procurar sinais no corpo. Se a menina apresentasse alguma marca, mancha ou caroço na cabeça seria filha de Orunmilá e deveria ser levada para viver com ele.
     Assim foi atestado, pelas marcas de nascença, que a criança mais nova de Iemanjá era de Orunmilá. Foi criada pelo pai, que satisfazia todos os seus caprichos. Por isso cresceu cheia de vontades e vaidades, o nome dessa filha é Oxum.

Imagem: http://mitologiasereligioes.blogspot.com.br/2010/05/oxum.html

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Poesia: A injustiça / Autor: Pablo Neruda

Quem descobre quem sou descobrirá quem és.
E o como, e o por onde.
Toquei muito cedo toda a injustiça.
A fome não era só fome.
Mas a medida do homem
O frio, o vento eram também medidas.
Mediu cem fomes e caiu o levantado.
E nos cem frios foi enterrado Pedro.
Um só vento durou a pobre casa.
Aprendi que o centímetro e o grama,
colher e légua mediam a cobiça,
e que o homem assediado caía depressa
para um buraco, e já não mais sabia.
Não mais, e esse era o lugar,
o real presente, o dom, a luz, a vida,
isso era, padecer de frio e fome,
e não possuir sapato e tremer
frente ao juiz, frente ao outro,
a outro ser com espada ou com tinteiro,
aos empurrões cavando e cortando, assim,
fazendo pão, colhendo o trigo, a coser,
pregando cada prego que pedia madeira,
à terra penetrando como ao intestino
para tirar, às cegas, carvão crepitante
e mais ainda, subindo rios e cordilheiras,
cavalgando cavalos, movendo barcaças,
cozendo telhas, soprando vidros, lavando roupa,
de tal maneira que pareceria
tudo isto o reino recém levantando,
uva resplandecente no seu cacho,
quando o homem se decidiu a ser feliz,
não era, não assim. Fui descobrindo
a lei da desventura,
o trono de ouro ensanguentado,
a liberdade alcoviteira,
a pátria sem abrigo,

o coração ferido e fatigado,
e um rumor de mortos de lágrimas,
secos, como pedras que caem.
E então deixei de ser menino
porque compreendi que para o meu povo
não lhe permitiram a vida
e lhe negaram sepultura.

Imagem: http://mydearmilo.tumblr.com/