sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Acróstico: Livro / Autor: Luiz S. Caxito

Liberte-se da ignorância
Instrua-se através da leitura
Viva a vida, lendo e aprendendo
Revelem aos que não sabem
O quanto é útil a cultura

Imagem: http://www.pinterest.com/pin/514817801124419874/

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Poesia: Elevação / Autor: Charles Baudelaire

Por sobre os pantanais, os vales orvalhados,
As montanhas, os bosques, as nuvens, os mares,
Para além do ígneo sol e do éter que há nos ares,
Para além dos confins dos tetos estrelados,

Flutuas, meu espírito, ágil peregrino,

E, como um nadador que nas águas afunda,
Sulcas alegremente a imensidão profunda
Com um lascivo e fluido gozo masculino.

Vai mais, vai mais além do lodo repelente,

Vai te purificar onde o ar se faz mais fino,
E bebe, qual licor translúcido e divino,
O puro fogo que enche o espaço transparente.

Depois do tédio e dos desgostos e das penas

Que gravam com seu peso a vida dolorosa,
Feliz daquele a quem uma asa vigorosa
Pode lançar às várzeas claras e serenas;

Aquele que, ao pensar, qual pássaro veloz,

De manhã rumo aos céus liberto se distende,
Que paira sobre a vida e sem esforço entende
A linguagem da flor e das coisas sem voz!

Imagem: http://skeisy.tumblr.com/post/59698047650

domingo, 8 de setembro de 2013

Música: Nem um dia / Compositor: Djavan

Um dia frio
Um bom lugar pra ler um livro
E o pensamento lá em você,
eu sem você não vivo
Um dia triste, toda fragilidade incide
E o pensamento lá em você,
e tudo me divide
Longe da felicidade
E todas as suas luzes
Te desejo como ao ar
Mais que tudo,
És manhã na natureza das flores
Mesmo por toda riqueza dos sheiks árabes
Não te esquecerei um dia, nem um dia
Espero com a força do pensamento
Recriar a luz que me trará você
E tudo nascerá mais belo,
O verde faz do azul com o amarelo
O elo com todas as cores
Pra enfeitar amores gris

Para ver e ouvir: YouTube.
Imagem: Sabryna Keisy.

Citações / Diversos Autores

"Amor que clama amor, muitas vezes só ouve o seu próprio eco."
- Amiel-Lapeyre.

"A pessoa se torna adulta a medida que mata os pais."
- ?

"Ore como se tudo dependesse de Deus; lute como se tudo dependesse de você."
- Herrera.

"É mais fácil quebrar um átomo do que um preconceito."
- A. Einstein.

"Sonhos são gratuitos. Transformá-los em realidade tem um preço."
- E. Gibbs.

"Aquele que vê o mundo aos 50 da mesma maneira que via aos 20, desperdiçou 30 anos de sua vida."
- M. Ali.

"A gente não se liberta de um mau hábito jogando-o pela janela: é preciso fazê-lo descer a escada, degrau por degrau."
- Mark Twain.

"Num confronto verbal abaixe a sua voz na mesma proporção em que a outra pessoa estiver erguendo a dela."
- H. J. Brown.

"Se você não pode mudar uma situação, mude sua atitude com relação a ela."
- M. Tereza Maldonado.

"O relacionamento entre os parceiros da vida íntima no lar, na essência, é uma escola ativa de aperfeiçoamento do espírito. Até que duas criaturas alcancem o amor integral, uma pela outra, sob todos os aspectos da individualidade, é compreensível o atrito mais ou menos frequente entre ambas, visando ao burilamento recíproco."
- Chico Xavier. 

sábado, 7 de setembro de 2013

Oração de Oxum

Quando a tristeza invade meu peito eu clamo: Oxum!
Quando as lágrimas invadem meu rosto eu clamo: Oxum!
Quando a dor é maior que o meu espírito eu clamo: Oxum!
Minha poderosa mãe do espelho e das águas
Minha rainha soberana da doçura e do amor
Tenha piedade dos que sofrem e choram
Que o tempo do seu rio se apresse
em trazer a esperança e a alegria
Minha senhora dona dos céus azuis
das pedras, dos seixos, da beleza
e das águas límpidas como a paz
que o seu espelho revele a sorte
nos meus passos errantes
que suas mãos frágeis e delicadas
sejam o conforto em minha caminhada
Que eu seja bendito no seu coração de mãe!

Imagem: http://www.fbu.com.br/cabanadocaboclojupe/oxum.htm

sábado, 10 de agosto de 2013

Conto: As rosas do infinito / Autor: Autor: Chico Xavier (ditado pelo espírito Irmão X)

      Em deslumbrante paisagem da Esfera superior, diversos mensageiros se congregavam em curioso certame. Procediam de lugares diversos e traziam flores para importante aferição de mérito.
     Na praça enorme, pavimentada de substância semelhante ao jade, colunas multicores exibiam guirlandas de soberana beleza.
     Rosas de todos os feitios e cravos soberbos, gerânios e glicínias, lírios e açucenas, miosótis e crisântemos exaltavam a Sabedoria do Criador em festa espetacular de cores e perfumes.
     Envergando túnicas resplendentes, servidores espirituais iam e vinham, à espera dos juízes angélicos.
     A exposição singular destinava-se à verificação da existência de luz divina, nos múltiplos exemplares que aí se alinhavam, salientando-se que os espécimes com maior teor de claridade celeste seriam conduzidos ao Trono do Eterno, como preito de amor e reconhecimento dos trabalhadores do bem.
     Os julgadores não se fizeram esperados.
     Quando a expectação geral se mostrava adiantada, três emissários da Majestade Sublime atravessaram as portas de dourada filigrana e, depois das saudações afetuosas, iniciaram o trabalho que lhes competia. Aquele que detinha mais elevada posição hierárquica trazia nas mãos uma toalha de linho translúcido, o único apetrecho que certamente utilizaria na tarefa de análise das preciosidades expostas.
     Cada ramo era seguido de pequena comissão representativa do serviço espiritual em que fora elucidando.
      Aproximou-se o primeiro grupo, trazendo uma braçada de rosas, tecidas com as emoções do carinho materno que, lançadas à toalha surpreendente, expediram suaves irradiações em azul indefinível, e os anjos abençoaram o devotamento das mães, que preservam os tesouros de Deus, na posição de heroínas desconhecidas.
     Logo após, brilhante conjunto de Espíritos jubilosos deitou ao pano singular uma coroa de lírios, formados pelas vibrações de fervor das almas piedosas que se devotam nos templos ao culto da fé. Safirinas emanações cruzaram o espaço e os celestes embaixadores louvaram aos santos misteres de todos os religiosos do mundo.
     Em seguida, alegre comissão juvenil trouxe a exame delicado ramalhete de açucenas, estruturadas nos sonhos e nas esperanças dos noivos que sabem guardar a Benção Divina, e raios verdes de brilho intraduzível se projetaram em todas as direções, enquanto os emissários do Todo-Misericordioso entoaram encômios aos afetos santificantes das almas.
     Lindas crianças foram portadoras de formosa auréola de jasmins, nascidos da ternura infantil, e que, depostos sobre a toalha miraculosa, emitiram alvíssima luz, semelhante a fios de aurora, incidindo sobre a neve.
     Depois, pequeno agrupamento de criaturas iluminadas colocou, sob os olhos dos anjos, bela grinalda de cravos rubros, colhidos na renunciação dos sábios e dos heróis, a serviço da Humanidade, que exteriorizaram vermelhas emanações, quais se fossem constituídas de eterizados rubis.
     E, assim, cada comissão submeteu ao trabalho seletivo as jóias que trazia.
     O devotamento dos pais, os laços esponsalícios, a dedicação dos filhos, o carinho dos verdadeiros amigos, a devoção de vários matizes ali se achavam magnificamente representados pelas flores cuja essência lhes correspondia.
     Em derradeiro lugar, compareceu a mais humilde comissão da festa.
     Quatro almas, revelando características de extrema simplicidade, surgiram com um ramo feio e triste. Eram rosas mirradas, de cor arroxeada, mostrando pontos esbranquiçados a guisa de manchas, a desabrocharem ao longo de hastes espinhosas e repelentes. Depostas, no entanto, sobre a mágica toalha, inflamaram-se de luz solar, a irradiar-se do recinto à imensidão dos Céus.
     Os três anjos puseram-se de joelhos. Inesperada comoção encheu de lágrimas os olhos espantados da enorme assembléia. E porque alguns dos presentes chorassem, com interrogações imanifestas, o grande juiz do certame esclareceu, emocionado:
     - Estas flores são as rosas de amor que raros trabalhadores do bem cultivam nas sombras do inferno. São glórias do sentimento puro, da fraternidade real, da suprema consagração à virtude, porque somente as almas libertas de todo o egoísmo conseguem servir a Deus, na escória das trevas. Os acúleos que se destacam nas hastes agressivas simbolizam as dificuldades superadas, as pétalas roxas simbolizam o arrependimento e a consolação dos que já se transferiram da desolação para a esperança, e os pontos alvos expressam o pranto mudo e aflitivo dos heróis anônimos que sabem servir sem reclamar...
     E, entre cânticos de transbordante alegria, as rosas estranhas subiram rutilantes do Paraíso.
     Ó vós, que lutais no caminho empedrado de cada dia, enxugai as lágrimas e esperai! As flores mais sublimes para o Céu nascem na Terra, onde os companheiros de boa-vontade sabem viver para a vitória do bem, com o suor do trabalho incessante e com as lágrimas silenciosas do próprio sacrifício.

Imagem: http://pinterest.com/pin/59180182576727274/

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Poesia: Bem no fundo / Autor: Paulo Leminski

No fundo, no fundo
bem lá no fundo
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela - silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.

Imagem: http://keyperscove.tumblr.com/post/16439657653/winter-rose-key-for-sale

Cantiga: Cai, cai, balão

Cai, cai, balão! Cai, cai, balão!
Aqui na minha mão.
Não cai, não! Não cai, não! Não cai, não!
Cai no meio do salão!

Imagem: http://pessoas.hsw.uol.com.br/festas-juninas.htm

sábado, 3 de agosto de 2013

Música: Garotos II - o outro lado / Compositor: Leoni

Seus olhos e seus olhares
milhares de tentações
Meninas são tão mulheres
seus truques e confusões
Se espalham pelos pêlos
Boca e cabelo
Peitos e poses e apelos
Me agarram pelas pernas
certas mulheres como você
me levam sempre aonde querem

Garotos não resistem aos seus mistérios
Garotos nunca dizem não
Garotos como eu sempre tão espertos
Perto de uma mulher
são só garotos

Seus dentes e seus sorrisos
mastigam meu corpo e juízo
Devoram os meus sentidos
E eu já não me importo comigo
Então são mãos e braços
Beijos e abraços
Pele, barriga e seus laços
São armadilhas e eu não sei o que faço
aqui de palhaço
seguindo os seus passos

Garotos não resistem aos seus mistérios
Garotos nunca dizem não
Garotos como eu sempre tão espertos
Perto de uma mulher
são só garotos

Para ver e ouvir: YouTube.
Imagem: Sabryna Keisy.

Livro: Alma Gêmea / Autora: Rosana Braga

1- "Exigir que a vida nos dê o melhor é o que temos feito sempre. Mas precisamos olhar para dentro de nós e perguntarmos o que é que temos dado à vida para merecermos o melhor."

2- "Existem muitas pessoas que passam o tempo todo falando, falando, falando... sem parar. Acredito que essa seja a forma mais comum que escolhemos para fugirmos de nós mesmos. Quem muito se explica é porque não consegue convencer nem a si mesmo."

3- "De nada adiantam o dinheiro, a posição social, o emprego ou o status. A evolução da alma pode acontecer no local mais pobre e sem recursos que você já tenha visto, porque o que mais podemos ver, nesse mundo de desigualdades sociais, são almas miseráveis rodeadas de luxo e almas muitíssimo evoluídas vivendo na pobreza..."

Imagem: http://www.americanas.com.br/produto/6651114/livro-alma-gemea

terça-feira, 30 de julho de 2013

Crônica: Instantes / Autor: Jorge Luis Borges

     Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros. Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais. Seria mais tolo ainda do que tenho sido, na verdade bem poucas coisas levaria a sério. Seria menos higiênico. Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios. Iria a mais lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos lentilha, teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
     Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto de sua vida. Claro que tive momentos de alegria. Mas, se pudesse voltar a viver, trataria de ter somente bons momentos. Porque, se não sabem, disso é feito a vida, só de momentos, não percam o agora.
     Eu era um desses que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuva e um pára-quedas. Se voltasse a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim até o fim do outono.
     Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente. Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que estou morrendo.

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sábado, 20 de julho de 2013

Música: À primeira vista / Compositor: Chico César

Quando não tinha nada, eu quis
Quando tudo era ausência, esperei
Quando tive frio, tremi
Quando tive coragem, liguei

Quando chegou carta, abri

Quando ouvi Prince, dancei
Quando o olho brilhou, entendi
Quando criei asas, voei

Quando me chamou, eu vim

Quando dei por mim, tava aqui
Quando lhe achei, me perdi
Quando vi você, me apaixonei

Quando não tinha nada, eu quis

Quando tudo era ausência, esperei
Quando tive frio, tremi
Quando tive coragem, liguei

Quando chegou carta, abri

Quando ouvi Salif Keita, dancei
Quando o olho brilhou, entendi
Quando criei asas, voei

Quando me chamou, eu vim

Quando dei por mim, tava aqui
Quando lhe achei, me perdi
Quando vi você, me apaixonei

Ohhh amara zaia sonhei desire desire sire gatuan...

Ohhh amara zaia sonhei desire desire sire gatuan...

Para ver e ouvir: YouTube.
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Fábula: O lobo e o cordeiro / Autor: Esopo

     Um lobo estava bebendo água num riacho. Um cordeirinho chegou e também começou a beber, um pouco mais para baixo.
     O lobo arreganhou os dentes e disse ao cordeiro:
     - Como é que você tem a ousadia de vir sujar a água que estou bebendo?
     - Como sujar? - respondeu o cordeiro. - A água corre daí para cá, logo eu não posso estar sujando sua água.
     - Não me responda! - tornou o lobo furioso. - Há seis meses seu pai me fez a mesma coisa!
     - Há seis meses eu nem tinha nascido, como é que eu posso ter culpa nisso? - respondeu o cordeiro.
     - Mas você estragou todo o meu pasto - replicou o lobo.
     - Como é que eu posso ter estragado o seu pasto, se nem dentes eu tenho?
     O lobo, não tendo mais como culpar o cordeiro, não disse mais nada: pulou sobre ele e o devorou.

É fácil oprimir o inocente.

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terça-feira, 2 de julho de 2013

Parábola da Pérola / Autor: Mateus, XIII, 45-46

     "O Reino dos Céus é semelhante a um negociante que buscava boas pérolas; e tendo achado uma de grande valor, foi vender tudo o que possuía e a comprou."
     O sentido da parábola:
     A pérola de grande valor é Jesus Cristo e Seu Reino. Antes de conhecer Jesus, olhamos nossas vidas como se tivéssemos verdadeiras pérolas em nosso poder, mas quando reconhecemos o valor de Jesus Cristo, essa mentalidade muda, pois ele nos faz ver que as nossas "pérolas", na realidade, não são tão valorosas como a que Ele nos oferece.
     O grande desafio é o negociador saber reconhecer a pérola de grande valor, Jesus Cristo, sacrificando suas outras pérolas por ela.

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sábado, 29 de junho de 2013

Conto: Chapeuzinho Vermelho / Autores: Irmãos Grimm

     Era uma vez, numa pequena cidade às margens da floresta, uma menina de olhos negros e louros cabelos cacheados, tão graciosa quanto valiosa.
     Um dia, com um retalho de tecido vermelho, sua mãe costurou para ela uma curta capa com capuz; ficou uma belezinha, combinando muito bem com os cabelos louros e os olhos negros da menina.
     Daquele dia em diante, a menina não quis mais saber de vestir outra roupa, senão aquela e, com o tempo,  os moradores da vila passaram a chamá-la de "Chapeuzinho Vermelho".
     Além da mãe, Chapeuzinho Vermelho não tinha outros parentes, a não ser uma avó bem velhinha, que nem conseguia mais sair de casa. Morava numa casinha, no interior da mata.
     De vez em quando ia lá visitá-la com sua mãe, e sempre levavam alguns mantimentos.
     Um dia, a mãe da menina preparou algumas broas das quais a avó gostava muito mas, quando acabou de assar os quitutes, estava tão cansada que não tinha mais ânimo para andar pela floresta e levá-las para a velhinha.
     Então, chamou a filha:
     - Chapeuzinho Vermelho, vá levar essas broinhas para a vovó, ela gostará muito. Disseram-me que há alguns dias ela não passa bem e, com certeza, não tem vontade de cozinhar.
     - Vou agora mesmo, mamãe.
     - Tome cuidado, não pare para conversar com ninguém e vá direitinho, sem desviar do caminho certo. Há muitos perigos na floresta!
     - Tomarei cuidado, mamãe, não se preocupe.
     A mãe arrumou as broas em um cesto e colocou também um pote de geleia e um tablete de manteiga. A vovó gostava de comer as broinhas com manteiga fresquinha e geleia.
     Chapeuzinho Vermelho pegou o cesto e foi embora. A mata era cerrada e escura. No meio das árvores somente se ouvia o chilrear de alguns pássaros e, ao longe, o ruído dos machados dos lenhadores.
     A menina ia por uma trilha quando, de repente, apareceu-lhe na frente um lobo enorme, de pelo escuro e olhos brilhantes.
     Olhando para aquela linda menina, o lobo pensou que ela devia ser macia e saborosa. Queria mesmo devorá-la num bocado só. Mas não teve coragem, temendo os cortadores de lenha que poderiam ouvir os gritos da vítima. Por isso, decidiu usar de astúcia.
     - Bom dia, linda menina - disse com voz doce.
     - Bom dia - respondeu Chapeuzinho Vermelho.
     - Qual é seu nome?
     - Chapeuzinho Vermelho.
     - Um nome bem certinho para você. Mas diga-me, Chapeuzinho Vermelho, onde está indo assim tão só?
     - Vou visitar minha avó, que não está muito bem de saúde.
     - Muito bem! E onde mora sua avó?
     - Mais além, no interior da mata.
     - Explique melhor, Chapeuzinho Vermelho.
     - Numa casinha com as venezianas verdes, logo após o velho engenho de açúcar.
     O lobo teve uma ideia e propôs:
     - Gostaria de ir também visitar sua avó doente. Vamos fazer uma aposta, para ver quem chega primeiro. Eu irei por aquele atalho lá abaixo, e você poderá seguir por este.
     Chapeuzinho Vermelho aceitou a proposta.
     - Um, dois, três, e já! - gritou o lobo.
     Conhecendo a floresta tão bem quanto seu nariz, o lobo escolhera para ele o trajeto mais breve, e não demorou muito para alcançar a casinha da vovó.
     Bateu à porta o mais delicadamente possível, com suas enormes patas.
     - Quem é? - perguntou a avó.
     O lobo fez uma vozinha doce, doce, para responder:
     - Sou eu, sua netinha, vovó. Trago broas feitas em casa, um vidro de geleia e manteiga fresca.
     A boa velhinha, que ainda estava deitada, respondeu:
     - Puxe a tranca, e a porta se abrirá.
     O lobo entrou, chegou ao meio do quarto com um só pulo e devorou a pobre avozinha, antes que ela pudesse gritar.
     Em seguida, fechou a porta. Enfiou-se embaixo das cobertas e ficou à espera de Chapeuzinho Vermelho.
     A essa altura, Chapeuzinho Vermelho já tinha esquecido do lobo e da aposta sobre quem chegaria primeiro. Ia andando devagar pelo atalho, parando aqui e acolá: ora era atraída por uma árvore carregada de pitangas, ora ficava observando o voo de uma borboleta, ou ainda um ágil esquilo. Parou um pouco para colher um maço de flores do campo, encantou-se a observar uma procissão de formigas e correu atrás de uma joaninha.
     Finalmente, chegou à casa da vovó e bateu de leve na porta.
     - Quem está aí? - perguntou o lobo, esquecendo de disfarçar a voz.
     Chapeuzinho Vermelho se espantou um pouco com a voz rouca, mas pensou que fosse porque a vovó ainda estava gripada.
     - É Chapeuzinho Vermelho, sua netinha. Estou trazendo broinhas, um pote de geleia e manteiga bem fresquinha!
     Mas aí o lobo se lembrou de afinar a voz cavernosa antes de responder:
     - Puxe o trinco, e a porta se abrirá.
     Chapeuzinho Vermelho puxou o trinco e abriu a porta. O lobo estava escondido, embaixo das cobertas, só deixando aparecer a touca que a vovó usava para dormir.
     Coloque as broinhas, a geleia e a manteiga no guarda-comida, minha querida netinha, e venha aqui, até minha cama. Tenho muito frio, e você me ajudará a me aquecer um pouquinho.
     Chapeuzinho Vermelho obedeceu e se enfiou embaixo das cobertas. Mas estranhou o aspecto da avó. Antes de tudo, estava muito peluda! Seria efeito da doença? E foi reparando:
     - Oh, vovozinha, que braços longos você tem!
     - São para abraçá-la melhor, minha querida menina!
     - Oh, vovozinha, que olhos grandes você tem!
     - São para enxergar também no escuro, minha menina!
     - Oh, vovozinha, que orelhas compridas você tem!
     - São para ouvir tudo, queridinha!
     - Oh, vovozinha, que boca enorme você tem!
     - É para engolir você melhor!!!
     Assim dizendo, o lobo mau deu um pulo e, num movimento só, comeu a pobre Chapeuzinho Vermelho.
     - Agora estou realmente satisfeito - resmungou o lobo. Estou até com vontade de tirar uma soneca, antes de retomar meu caminho.
     Voltou a se enfiar embaixo das cobertas, bem quentinho. Fechou os olhos e, depois de alguns minutos, já roncava. E como roncava! Uma britadeira teria feito menos barulho.
     Algumas horas mais tarde, um caçador passou em frente à casa da vovó, ouviu o barulho e pensou: "Olha só como a velhinha ronca! Estará passando mal!? Vou dar uma espiada."
     Abriu a porta, chegou perto da cama e... quem ele viu? O lobo, que dormia como uma pedra, com uma enorme barriga parecendo um grande balão!
     O caçador ficou bem satisfeito. Há muito tempo estava procurando esse lobo, que já matara muitas ovelhas e cordeirinhos.
     - Afinal você está aqui, velho malandro! Sua carreira terminou. Já vai ver!
     Enfiou os cartuchos na espingarda e estava pronto para atirar, mas então lhe pareceu que a barriga do lobo estava se mexendo e pensou: "Aposto que este danado comeu a vovó, sem nem ter o trabalho de mastigá-la! Se foi isso, talvez eu ainda possa ajudar!".
     Guardou a espingarda, pegou a tesoura e, bem devagar, bem de leve, começou a cortar a barriga do lobo ainda adormecido.
     Na primeira tesourada, apareceu um pedaço de pano vermelho, na segunda, uma cabecinha loura, na terceira, Chapeuzinho Vermelho pulou fora.
     - Obrigada, senhor caçador, agradeço muito por ter me libertado. Estava tão apertado lá dentro, e tão escuro... Faça outro pequeno corte, por favor, assim poderá libertar minha avó, que o lobo comeu antes de mim.
     O caçador recomeçou seu trabalho com a tesoura, e da barriga do lobo saiu também a vovó, um pouco estonteada, meio sufocada, mas viva.
     - E agora? - perguntou o caçador. - Temos de castigar esse bicho como ele merece!
     Chapeuzinho Vermelho foi correndo até a beira do córrego e apanhou uma grande quantidade de pedras redondas e lisas. Entregou-as ao caçador que arrumou tudo bem direitinho, dentro da barriga do lobo, antes de costurar o cortes que havia feito.
     Em seguida, os três saíram da casa, se esconderam entre as árvores e aguardaram.
     Mais tarde, o lobo acordou com um peso estranho no estômago. Teria sido indigesta a vovó? Pulou da cama e foi beber água no córrego, mas as pedras pesavam tanto que, quando se abaixou, ele caiu na água e ficou preso no fundo do córrego.
     O caçador foi embora contente e a vovó comeu com gosto as broinhas. Chapeuzinho Vermelho prometeu a si mesma nunca mais esquecer os conselhos da mamãe: "Não pare para conversar com ninguém, e vá em frente pelo seu caminho."

Imagem: http://scottgustafson.com/

terça-feira, 25 de junho de 2013

Poesia: Olhos Verdes / Autor: Gonçalves Dias

São uns olhos verdes, verdes,
Uns olhos de verde-mar,
Quando o tempo vai bonança;
Uns olhos cor de esperança;
Uns olhos por que morri;
Que ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Como duas esmeraldas,
Iguais na forma e na cor,
Têm luz mais branda e mais forte,
Diz uma-vida, outra-morte;
Uma-loucura, outra-amor.
Mas ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

São verdes da cor do prado,
Exprimem qualquer paixão,
Tão facilmente se inflamam,
Tão meigamente derramam
Fogo e luz do coração;
Mas ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Como se lê num espelho,
Pude ler nos olhos seus!
Os olhos mostram a alma,
Que as ondas postas em calma
Também refletem os céus;
Mas ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Dizei vós, ó meus amigos,
Se vos perguntam por mi,
Que eu vivo só da lembrança
De uns olhos cor de esperança
De uns olhos verdes que vi!
Que ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Dizei vós: Triste do bardo!
Deixou-se de amor finar!
Viu uns olhos verdes, verdes,
Uns olhos da cor do mar:
Eram verdes sem esp'rança,
Davam amor sem amar!
Dizei-o vos, meus amigos,
Que ai de mi!
Não pertenço mais à vida
Depois que os vi!

Imagem: Sabryna Keisy.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Cantiga: Borboletinha

Borboletinha,
tá na cozinha,
fazendo chocolate,
para a madrinha.

Poti, poti,
perna de pau,
olho de vidro,
nariz de pica-pau, pau, pau.

Borboletinha,
tá no jardim,
fazendo cambalhotas,
só para mim.

Poti, poti,
perna de pau,
olho de vidro,
nariz de pica-pau, pau, pau.

Imagem: Sabryna Keisy.

sábado, 8 de junho de 2013

Música: Piel Morena / Compositor: Kike Santander

Es la magia de tu cuerpo
o el perfume de tu aliento
Es el fuego de tu hoguera que me tiene prisionera
El veneno dulce de tu encanto
o es la llama que me vá quemando
Es la miel de tu ternura
la razón de mi locura

No soy nada sin la luz de tu mirada
Sin el eco de tu risa que se cuela en mi ventana
Eres dueño del calor sobre mi almohada
De mis noches de nostalgia
De mis sueños y esperanzas

Eres piel morena
canto de pasión y arena
Eres piel morena
Noche bajo las estrellas
Eres piel morena
Playa, sol y palmeras
Eres piel morena
sueño de mi primavera

Son tus besos dulce fruta que me embriaga
Que se lleva mis tristezas y devuelve al fin la calma
Prisionera de tu amor en la alborada
De tus besos, tus caricias que se quedan en el alma

Piel morena eres cumbia, sol y arena
Piel morena mi delirio, mi condena
Es la magia de tu cuerpo o el perfume de tu aliento
Es el fuego de tu hoguera que me tiene prisionera
Ay caramba!

Piel morena eres cumbia, sol y arena
Piel morena mi delirio, mi condena
Eres suave como el viento, eres dulce pensamiento
Eres sol de mis trigales, eres miel de mis cañales

Eres piel morena
porque solo a tu lado soy feliz
Eres piel morena
Tengo tantas cosas para ti
Eres piel morena
Consumiéndome en tu hoguera, lentamente
Eres piel morena
Tú me tienes prisionera

Para ver e ouvir: YouTube.
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domingo, 2 de junho de 2013

Fábula: A raposa e as uvas / Autor: Esopo

     Uma raposa passou embaixo de uma parreira carregada de lindas uvas. Ficou com muita vontade de comer aquelas uvas.
     Deu muitos saltos, tentou subir na parreira, mas não conseguiu. Depois de muito tentar foi-se embora, dizendo:
     - Eu nem estou ligando para as uvas. Elas estão verdes, mesmo...

É fácil desprezar aquilo que não se pode obter.

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quinta-feira, 30 de maio de 2013

Citações do Biscoito da Sorte

"A indecisão gera a confusão."

"Quem sabe esperar com paciência já recebeu a força que precisava."

"Sua vida amorosa será feliz e harmoniosa."

"A vida para você é uma aventura arrojada e audaciosa."

"Palavras verdadeiras podem não ser agradáveis."

"O amor está mais próximo do que você imagina."

"Costumamos encontrar nosso destino justamente onde nos escondemos para evitá-lo."

"Consciente dos perigos decorrentes da responsabilidade que assumiu, pode evitar-se erros."

"Atinge-se a sabedoria quando se aprende a segurar a língua."

"Tudo está sujeito à mutação. Esta é a eterna lei da Terra."

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Conto: O homem que não se irritava / Autor: Chico Xavier (ditado pelo espírito Irmão X)

     Existiu um rei, amigo da sabedoria, que, depois de grande trabalho para subjugar a natureza inferior, convidou um filósofo para socorrê-lo no aperfeiçoamento da palavra. Conseguira indiscutível progresso na arte de sublimar-se. Fizera-se portador de primoroso cultura e, tanto no ministério público, quanto na vida privada, caracterizava-se por largos gestos de bondade e inteligência. Fazia quanto lhe era possível para exercer a justiça, segundo os padrões da reta consciência, e demonstrava inexcedível carinho na defesa e proteção do povo, através de reiteradas distribuições de lã e trigo, a fim de que as pessoas menos favorecidas pela fortuna não sofressem frio ou fome. Não sabia acumular tesouros exclusivamente para si e, em razão disso, obedecendo às virtudes sociais de que se fizera o exemplo vivo, instituíra escolas e abrigos e incentivara a indústria e a lavoura, desejando que todos os súditos, ainda os mais humildes, encontrassem acesso à educação e à prosperidade.
     No círculo das manifestações pessoais, contudo, o valoroso monarca se sentia atrasado e hesitante.
     Não sabia disfarçar a cólera, não continha a fraqueza rude e nem sopitava o mau humor.
     Admirado e querido pelas qualidades sublimes que pudera fixar na personalidade, sofria, no entanto, a mágoa e a desconfiança de muitos que passaram a temer-lhe a frase contundente.
     Interessado, porém, na própria melhoria, solicitou ao filósofo que lhe acompanhasse a lide cotidiana.
     Quando se descontrolava, caindo nas amargas consequências do verbo impensado, o orientador observava, com humildade:
     - Poderoso senhor, tenha paciência e continue trabalhando no aprimoramento das próprias manifestações.
     A expressão serena e sábia revela grandeza interior que reclama tempo para ser devidamente consolidada. Quem alcança a ciência de falar, pode conviver com os anjos, porque a palavra é, sem dúvida, a continuação de nós mesmos.
     O monarca não se conformava e, em desespero passivo, confiava-se a rigoroso silêncio, que prejudicava consideravelmente os negócios do reino.
     De semelhante posição vinha roubá-la o filósofo, advertindo, respeitoso:
     - Amado soberano, a extrema quietude pode traduzir traição aos nossos deveres. A pretexto de nos reformarmos espiritualmente, não será lícito desprezar os nossos compromissos com o progresso comum. Fale sempre e não desdenhe agir! O verbo é a projeção do pensamento criador.
     O rei voltava a conversar, beneficiando o extenso domínio que lhe cabia dirigir, mas lá chegava outro momento em que se perdia na indignação excessiva, humilhando e ferindo ministros e vassalos a que desejaria ajudar sinceramente.
     Lamentando-se, aflito, vinha o filósofo conselheiral, afirmando, prestimoso:
     - Grande soberano, tenha paciência consigo mesmo.
     O reajustamento da alma não é obra para um dia. Prossiga, esforçando-se. Toda realização pede o concurso abençoado das horas... O rio deixaria de existir sem a congregação das gotas... Guarde calma, muita calma e não desanime...
     O monarca, no entanto, desacoroçoado, depois de regular experimentação com o filósofo, exonerou-o das funções que ocupava e expediu dois emissários às suas províncias extensas para que lhe trouxessem ao palácio algum homem incapaz de se irritar. Pretendia entrar em contato com o espírito mais equilibrado de suas terras, a fim de melhor orientar-se no autoburilamento.
     Os mensageiros iniciaram as investigações, mas impacientavam-se desiludidos. O homem que observavam ponderado na via pública era colérico no lar. Quem se revelava gentil em casa, costumava irar-se na rua. Alguns se mostravam distintos e agradáveis junto da família consanguínea, todavia, eram azedos no trato social.
     Diversos exibiam formosa máscara de serenidade com os estranhos, no entanto, dirigiam-se aos domésticos com deplorável aspereza.
     Depois de trinta dias de porfiada pesquisa, jubilosos, o homem que nunca se exasperava.
     Seguiram-no, cuidadosamente, em toda parte.
     Nunca falava alto e mantinha silêncio comovedor, no domicílio que lhe era próprio e fora dele.
     Durante quatro semanas foi examinado sob atenção vigilante, não perdendo um til na conduta irrepreensível.
     Trabalhava, movimentava-se, alimentava-se e atendia aos menores deveres, imperturbavelmente.
     Apressaram-se os mensageiros em levar a boa nova ao monarca, e o rei, satisfeito, convocou assessores e áulicos de sua casa para receber a personagem admirável, com a dignidade que lhe era devida.
     O vassalo venturoso foi trazido à real presença, entretanto, quando o soberano lhe dirigiu a palavra, esperando encontrar um anjo num corpo de carne, verificou, sob indefinível assombro, que o homem capaz de irritar-se era mudo.
     Sob o respeito manifesto de todos, o rei sorriu, desapontado, e mandou buscar novamente o filósofo, resignando-se a ter paciência consigo mesmo, a fim de aprender a conquistar-se pouco a pouco.

Imagem: http://skeisy.tumblr.com/post/40838754339

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Poesia: Eros e Psiqué / Autor: Fernando Pessoa

OBS.: esta poesia de Fernando Pessoa é um texto que exige reflexão, que pede uma leitura feita com o coração. Nele está, de forma sensível e bela, a única verdade: amar o outro não é qualquer outra coisa senão estar, a cada dia, buscando a si mesmo.

Conta a lenda que dormia

Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um infante, que vivia
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,

Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,

Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,

Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino - 

Ela dormindo encantada, 
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro

Tudo pela estrada  fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.

E, inda tonto do que houvera,

            Á cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A princesa que dormia.

Imagem: Wikipédia.