quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Poesia: Uma história / Autor: Casimiro de Abreu

A brisa dizia à rosa:
- Dá, formosa,
Dá-me, linda, o teu amor,
Deixa eu dormir no teu seio
Sem receio,
Sem receio, minha flor!

De tarde virei da selva
Sobre a relva
Os meus suspiros te dar;
E de noite na corrente
Mansamente,
Mansamente me embalar!

E a rosa dizia à brisa:
- Não precisa
Meu seio dos beijos teus;
Não te adoro... és inconstante...
Outro amante,
Outro amante aos sonhos meus!

Tu passas de noite e dia
Sem poesia
A repetir-me os teus ais;
Não te adoro... quero o Norte
Que é mais forte
Que é mais forte e eu amo mais!

No outro dia a pobre rosa
Tão vaidosa
No hastil se debruçou;
Pobre dela! - Teve a morte
Porque o Norte
Porque o Norte a desfolhou!...

Imagem: Sabryna Keisy.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Música: Codinome Beija-flor / Compositores: Cazuza, Ezequiel Neves e Reinaldo Arias

Pra que mentir
Fingir que perdoou
Tentar ficar amigos sem rancor
A emoção acabou
Que coincidência é o amor
A nossa música nunca mais tocou

Pra que usar de tanta educação

Pra destilar terceiras intenções
Desperdiçando o meu mel
Devagarzinho, flor em flor
Entre os meus inimigos, beija-flor

Eu protegi o teu nome por amor

Em um codinome, Beija-flor
Não responda nunca, meu amor
Pra qualquer um na rua, Beija-flor

Que só eu que podia

Dentro da tua orelha fria
Dizer segredos de liquidificador

Você sonhava acordada

Um jeito de não sentir dor
Prendia o choro e aguava o bom do amor
Prendia o choro e aguava o bom do amor

Imagem: Sabryna Keisy.
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Anedota: Cuidado com a verdade

     Um candidato a um cargo muito importante ficou muito irritado com as referências feitas a seu respeito por um jornal local. Irrompeu pela sala da redação e exclamou:
     - Sabem muito bem que tudo o que escreveram é mentira!
     - Não tem razões de queixa - argumentou o chefe da redação. - Imagine que nós dizíamos a verdade!

Imagem: http://tarunbanned.deviantart.com/

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Fábula: O Rato do Mato e o Rato da Cidade / Autor: Esopo

     Um ratinho da cidade foi uma vez convidado para ir à casa de um rato do campo. Vendo que seu companheiro vivia pobremente de raízes e ervas, o rato da cidade convidou-o a ir morar com ele:
     - Tenho muita pena da pobreza em que você vive - disse. - Venha morar comigo na cidade e você verá como lá a vida é mais fácil.
     Lá se foram os dois para a cidade, onde se acomodaram numa casa rica e bonita.
     Foram logo à despensa e estavam muito bem, se empanturrando de comidas fartas e gostosas, quando entrou uma pessoa com dois gatos, que pareceram enormes ao ratinho do campo.
     Os dois ratos correram espavoridos para se esconder.
     - Eu vou para o meu campo - disse o rato do campo quando o perigo passou. - Prefiro minhas raízes e ervas na calma, às suas comidas gostosas com todo esse susto.

Mais vale magro no mato, que gordo na boca do gato.

Imagem: http://scottgustafson.com/

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Discurso: John Lennon sobre a realização dos sonhos.

"Faça sei próprio sonho. Se você quer salvar o Peru, vá salvar o Peru. É bem possível fazer alguma coisa, mas não dotá-lo de líderes ou parquímetros.

Não espere por Jimmy Carter ou Ronald Reagan ou por John Lennon ou por Yoko Ono ou Bob Dylan ou Jesus Cristo venha e o faça por você.

Você tem de fazê-lo sozinho. É o que os grandes mestres têm dito desde que os tempos começaram. Eles podem apontar o caminho, deixar indicações e instruções em vários livros que são chamados de sagrados e venerados por suas capas, e não por aquilo que dizem, mas as instruções estão aí para que todas as vejam.Sempre estiveram e sempre estarão.

Não há nada de novo sob o sol, todos os caminhos levam a Roma. E as pessoas não podem fazê-lo por você. Eu não posso te despertar, você se desperta. Eu não posso te curar. Você pode se curar."

Imagem: http://besttravelphotos.wordpress.com/

Cantiga: Alecrim

Alecrim, alecrim dourado
que nasceu no campo
sem ser semeado


Alecrim, alecrim dourado
que nasceu no campo
sem ser semeado

Foi meu amor
que me disse assim
que a flor do campo
é o alecrim


Foi meu amor
que me disse assim
que a flor do campo
é o alecrim

Imagem: http://atomicbrownie.deviantart.com/
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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Conto: Joãozinho-sem-medo / Autor: Ítalo Calvino

     Era uma vez um menino chamado Joãozinho-sem-medo, pois não tinha medo de nada. Andando pelo mundo pediu abrigo em uma hospedaria.
     - Aqui não tem lugar - disse o dono. - Mas, se você não tem medo, posso mandá-lo para um palácio.
     - Por que eu sentiria medo?
     - Porque ali todo mundo sente. Ninguém saiu de lá, a não ser morto. De manhã, a Companhia leva o caixão para carregar quem teve a coragem de passar a noite lá. 
     Imaginem Joãozinho! Levou um candeeiro, uma garrafa, uma linguiça, e lá se foi.
     À meia-noite, estava comendo sentado à mesa quando ouviu uma voz saindo da chaminé:
     - Jogo?
     E Joãozinho respondeu:
     - Jogue logo!
     Da chaminé desceu uma perna de homem. Joãozinho bebeu um copo de vinho.
     Depois a voz tornou a perguntar:
     - Jogo?
     E Joãozinho:
     - Jogue logo!
     E desceu outra perna de homem. Joãozinho mordeu a linguiça. De novo:
     - Jogo?
     - Jogue logo!
     E desceu um braço. Joãozinho começou a assobiar.
      - Jogo?
     - Jogue logo!
     Outro braço.
      - Jogo?
     - Jogue!
     E caiu um corpo, que se colocou nas pernas e nos braços, ficando em pé um homem sem cabeça.
      - Jogo?
     - Jogue!
     Caiu a cabeça e pulou em cima do corpo. Era um homenzarrão gigantesco, e  Joãozinho levantou o copo dizendo:
     - À saúde!
     O homenzarrão disse:
     - Pegue o candeeiro e venha.
     Joãozinho pegou o candeeiro, mas não se mexeu.
     - Passe na frente! - disse Joãozinho.
     - Você! - disse o homem.
     - Você! - disse Joãozinho.
     Então, o homem se adiantou e, de sala em sala, atravessou o palácio, com Joãozinho atrás, iluminando o caminho. Embaixo de uma escadaria havia uma portinhola.
     - Abra! - disse o homem a Joãozinho.
     E Joãozinho:
     - Abra você!
     E o homem abriu com um empurrão. Havia uma escada em caracol.
     - Desça - disse o homem.
     - Primeiro você - disse Joãozinho. 
     Desceram a um subterrâneo, e o homem indicou uma laje no chão.
     - Levante!
     - Levante você! - disse Joãozinho. E o homem a ergueu como se fosse uma pedrinha.
     Embaixo da laje havia três tigelas cheias de moedas de ouro.
     - Leve para cima! - disse o homem.
     - Leve para cima você! - disse Joãozinho. E o homem levou uma de cada vez para cima.
     Quando foram de novo para a sala da chaminé, o homem disse:
     - Joãozinho, quebrou-se o encanto!
     E arrancou-se uma perna, que saiu esperneando pela chaminé.
     - Destas tigelas, uma é sua.
     Arrancou-se um braço, que trepou pela chaminé.
     - Outra é para a Companhia, que virá buscá-lo pensando que está morto.
     Arrancou-se também o outro braço, que acompanhou o primeiro.
     - A terceira é para o primeiro pobre que passar.
     Arrancou-se outra perna e ele ficou sentado no chão.
     - Pode ficar com o palácio também.
     Arrancou-se o corpo e ficou só a cabeça no chão.
     - Porque se perdeu para sempre a estirpe dos proprietários deste palácio.
     E a cabeça se ergueu e subiu pelo buraco da chaminé.
     Assim que o céu clareou, ouviu-se um canto:
     - Miserere mei, miserere mei.
     Era a Companhia com o caixão, que vinha recolher Joãozinho morto. E o viram na janela, fumando cachimbo.
     Joãozinho-sem-medo ficou rico com aquelas moedas de ouro e morou feliz no palácio. Até um dia em que, ao se virar, viu sua sombra e levou um susto tão grande que morreu.

Imagem: http://jameshillgallery.deviantart.com/     

Poesia: Mocidade / Autor: Casimiro de Abreu

Doce filha da lânguida tristeza
Ergue a fronte pendida - o sol fulgura!
Quando a terra sorri-se e o mar suspira
Por que te banha o rosto essa amargura?!

Por que chorar quando a natureza é risos,
Quando no prado a primavera é flores?
- Não foge a rosa quando o sol a busca
Antes se abrasa nos gentis fulgores.

Não! - Viver é amar, é ter um dia
Um amigo, uma mão que nos afague;
Uma voz que nos diga os seus queixumes,
Que as nossas mágoas com amor apague.

A vida é um deserto aborrecido
Sem sombra doce, ou viração calmante;
- Amor - é a fonte que nasceu nas pedras
E mata a sede à caravana errante.

Amai-vos! - disse Deus criando o mundo,
Amemos! - disse Adão no paraíso,
Amor! - murmura o mar nos seus queixumes,
Amor! - repete a terra num sorriso!

Doce filha da lânguida tristeza
Tua alma a suspirar de amor definha...
- Abre os olhos gentis à luz da vida,
Vem ouvir no silêncio a voz da minha!

Amemos! Este mundo é tão tristonho!
A vida, como um sonho - brilha e passa;
Porque não havemos p'ra acalmar as dores
Chegar aos lábios o licor da taça?

O mundo! o mundo! - E que te importa o mundo?
- Velho invejoso, a resmungar baixinho!
Nada perturba a paz serena e doce
Que as rolas gozam no seu casto ninho.

Amemos! - tudo vive e tudo canta...
Cantemos! seja a vida - hinos e flores;
De azul se veste o céu... vistamos ambos
O manto perfumado dos amores.

.............................................................................

Doce filha da lânguida tristeza
Ergue a fronte pendida - o sol fulgura!
- Como a flor indolente da campina
Abre ao sol da paixão tua alma pura!

Imagem: http://pinterest.com/jospedro/maravilhas-da-natureza/ 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Música: Dona / Compositores: Sá e Guarabyra

Dona desses traiçoeiros
sonhos, sempre verdadeiros
Oh Dona, desses animais
Dona dos seus ideais
Pelas ruas onde andas
Onde mandas todos nós
Somos sempre mensageiros
Esperando tua voz
Teus desejos, uma ordem
Nada é nunca, nunca é não
Porque tens essa certeza
Dentro do teu coração
Tã. tã, tã, batem na porta
Não precisa ver quem é
Pra sentir a impaciência
Do teu pulso de mulher
Um olhar me atira à cama
Um beijo me faz amar
Não levanto, não me escondo
Porque sei que és minha
Dona...

Dona desses traiçoeiros
Sonhos sempre verdadeiros
Não há pedra em teu caminho
Não há ondas no teu mar
Não há vento ou tempestade
Que te impeçam de voar
Entre a cobra e o passarinho
Entre a pomba e o gavião
Ou teu ódio ou teu carinho
Nos carregam pela mão
É a moça da cantiga
A mulher da criação
Umas vezes nossa amiga
Outras nossa perdição
O poder que nos levanta
A força que nos faz cair
Qual de nós ainda não sabe
Que isso tudo te faz
Dona, Dona...

Para ver e ouvir: YouTube.
Imagem: http://livingupsidedown.tumblr.com/post/40308121855

domingo, 13 de janeiro de 2013

Cantiga: Ai bota aqui, ai bota ali o seu pezinho / Compositor: Paixão Cortes

Ai bota aqui ai bota ali o seu pezinho
O seu pezinho bem juntinho com o meu (bis)

E depois não vá dizer
Que você já me esqueceu (bis)


Ai bota aqui ai bota ali o seu pezinho
O seu pezinho bem juntinho com o meu (bis)

E vou chegar nesse seu corpo
Um abraço quero eu (bis)


Ai bota aqui ai bota ali o seu pezinho
O seu pezinho bem juntinho com o meu (bis)

Agora que estamos juntinhos
Me dá um abraço e um beijinho

Imagem: http://asdescobertasdejoaozinho.blogspot.com.br/2011_06_01_archive.html

Citações do Biscoito da Sorte

"Quem quer colher rosas deve precaver-se com os espinhos."

"Um grande desempenho cultural: aproveite-o para grandes obras."

"É importante manter uma atitude conscienciosa e firme."

"Falta de vontade política é reflexo de uma educação falha."

"Quem só julga, esquece dos próprios defeitos."

"Abandonar algo pela metade é fracassar totalmente."

"A situação de uma nação se reflete no lar."

"A juventude não é uma época da vida, é um estado de espírito."

"Dominar a arte da discrição é melhor que usar a eloquência."

"Você será regado com boa sorte."

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Acróstico para Pedro II / Autor: Fagundes Varela (?)

Oh! Excelso Monarca, eu vos saúdo!
Bem como vos saúda o mundo inteiro,
O mundo que conhece as vossas glórias.
Brasileiros, erguei-vos e de um brado.
O monarca saudai, saudai com hinos.
Do dia de dezembro o dois faustoso,
O dia que nos trouxe mil venturas!
Ribomba ao nascer d'alva a artilharia.
E parece dizer em tom festivo:
Império do Brasil, cantai, cantai!
Festival harmonia reina em todos;
As glórias do monarca, as vãs virtudes.
Zelemos decantando-as sem cessar.
A excelsa imperatriz, a mãe dos pobres.
Não olvidemos também de festejar.
Neste dia imortal que é para ela
O dia venturoso em que nascera
Sempre grande e imortal, Pedro II.

Imagem: http://pinterest.com/kfranks1/

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Música: Amar você (segredo do meu coração) / Compositores: Michael Sullivan e Paulo Massadas

Amar você,
o sonho que guardei pra mim
Amar você,
a vida foi quem quis assim
Eu te amo e isso eu não sei mais mudar
Amar você,
segredo do meu coração
Amar você,
é toda a minha ilusão
Eu te amo, faz parte de mim te adorar

Quanto mais o tempo passa
Mais eu quero te encontrar.
Descobrir na luz da lua, o teu olhar
Me perder no teu abraço, enfim
É assim que eu sei gostar,
Que fazer de mim se você não voltar?

Amar você,
o sonho que guardei pra mim
Amar você,
a vida foi quem quis assim
Eu te amo e isso eu não sei mais mudar


Quanto mais o tempo passa
Mais eu quero te encontrar.
Descobrir na luz da lua, o teu olhar
Me perder no teu abraço, enfim
É assim que eu sei gostar,
Que fazer de mim se você não voltar?


Amar você,
o sonho que guardei pra mim
Amar você,
a vida foi quem quis assim
Eu te amo, faz parte de mim te adorar.
Eu te amo e isso eu não sei mais mudar.
eu te amo e isso eu não sei mais mudar.

Imagem: http://sassandbelle.tumblr.com/post/16167793499
Para ver e ouvir: YouTube.

Citações / Diversos Autores

"Um dia perdido é quando não aprendemos nada."
- Xuxa Meneghel.

"É bom dar um passo para trás ou para frente, mas ficar parado nunca."
- Marlene Matos.

"Se sonhar um pouco é perigoso, a solução para isso não é sonhar menos - é sonhar mais."
- Marcel Proust.

"Vida sem palavras é triste. Palavras sem vida é mais triste ainda: um desperdício."
- ?

"Necessitamos, sem falta, de espíritos fortes, num século de mediocridade."
- ?

"Fazer de cada momento uma vida e da vida um único momento, isto é felicidade."
- ?

"Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida..."
- ?

"Nós geralmente descobrimos o que fazer percebendo aquilo que não devemos fazer. E provavelmente aquele que nunca cometeu um erro nunca fez uma descoberta."
- Samuel Smiles.

"Quando o amor existe, vale a pena esperar..."
- ?

"O amor sobreleva as virtudes e os vícios: ninguém ama alguém pelas boas ou más qualidades."
- ?

"O último dia do ano, não é o último dia do tempo. O último dia do tempo, não é o último dia de tudo. Outros dias virão."
- Carlos Drummond de Andrade.

"Ninguém cresce se não aprende a estar só."
- ?

"O grande problema não é aquilo que se diz, mas como é dito."
- ? 

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Poesia: Ainda uma vez - Adeus / Autor: Gonçalves Dias

I
Enfim te vejo! - enfim posso,
Curvado a teus pés, dizer-te,
Que não cessei de querer-te,
Pesar de quanto sofri.
Muito penei! Cruas ânsias,
Dos teus olhos afastado,
Houveram-me acabrunhado
A não lembrar-me de ti!

II

Dum mundo a outro impelido,
Derramei os meus lamentos
Nas surdas asas dos ventos,
Do mar na crespa cerviz!
Baldão, ludíbrio da sorte
Em terra estranha, entre gente,
Que alheios males não sente,
Nem se condói do infeliz!

III

Louco, aflito, a saciar-me
D'agravar minha ferida,
Tomou-me tédio da vida,
Passos da morte senti;
Mas quase no passo extremo,
No último arcar da esp'rança,
Tu me vieste à lembrança:
Quis viver mais e vivi!

IV

Vivi; pois Deus me guardava
Para este lugar e hora!
Depois de tanto, senhora,
Ver-te e falar-te outra vez;
Rever-me em teu rosto amigo,
Pensar em quando hei perdido,
E este pranto dolorido
Deixar correr a teus pés.

V

Mas que tens? Não me conheces?
De mim afastas teu rosto?
Pois tanto pôde o desgosto
Transformar o rosto meu?
Sei a aflição quanto pode,
Sei quanto ela desfigura,
E eu não vivi na ventura...
Olha-me bem, quem sou eu!

VI

Nenhuma voz me dirigis!...
Julgas-te acaso ofendida?
Deste-me amor, e a vida
Que me darias - bem sei;
Mas lembrem-te aqueles feros
Corações, que se meteram
Entre nós; e se venceram,
Mal sabes quanto lutei!

VII

Oh! se lutei!... mas devera
Expor-te em pública praça,
Como um alvo à populaça,
Um alvo aos dictérios seus!
Devera, podia acaso
Tal sacrifício aceitar-te
Para no cabo pagar-te,
Meus dias unindo aos teus?

VIII

Devera, sim; mas pensava,
Que de mim t'esquecerias,
Que, sem mim, alegres dias,
T'esperavam; e em favor
De minhas preces, contava
Que o bom Deus me aceitaria
O meu quinhão de alegria
Pelo teu, quinhão de dor!

IX

Que me enganei, ora o vejo;
Nadam-te os olhos em pranto,
Arfa-te o peito, e no entanto
Nem me podes encarar;
Erro foi, mas não foi crime,
Não te esqueci, eu to juro:
Sacrifiquei meu futuro,
Vida e glória por te amar!

X

Tudo, tudo; e na miséria
Dum martírio prolongado,
Lento, cruel, disfarçado,
Que eu nem a ti confiei;
"Ela é feliz (me dizia)
Seu descanso é obra minha."
Negou-me a sorte mesquinha...
Perdoa, que me enganei!

XI

Tantos encantos me tinham,
Tanta ilusão me afagava
De noite, quando acordava,
De dia em sonhos talvez!
Tudo isso agora onde pára?
Onde a ilusão dos meus sonhos?
Tantos projetos risonhos,
Tudo esse engano desfez!

XII

Enganei-me!... - Horrendo caos
Nessas palavras se encerra,
Quando do engano, quem erra.
Não pode voltar atrás!
Amarga irrisão! reflete:
Quando eu gozar-te pudera,
Mártir quis ser, cuidei qu'era...
E um louco fui, nada mais!

XIII

Louco, julguei adornar-me
Com palmas d'alta virtude!
Que tinha eu bronco e rude
Co que se chama ideal?
O meu eras tu, não outro;
Stava em deixar minha vida
Correr por ti conduzida,
Pura, na ausência do mal.

XIV

Pensar eu que o teu destino
Ligado ao meu, outro fora,
Pensar que te vejo agora,
Por culpa minha, infeliz;
Pensar que a tua ventura
Deus ab eterno a fizera,
No meu caminho a pusera...
E eu! eu fui que a não quis!

XV

És doutro agora,e p'ra sempre!
Eu a mísero desterro
Volto, chorando o meu erro,
Quase descrendo dos céus!
Dói-te de mim, pois me encontra
Em tanta miséria posto,
Que a expressão deste desgosto
Será um crime ante Deus!

XVI

Dói-te de mim, que t'imploro
Perdão, a teus pés curvado;
Perdão!... de não ter ousado 
Viver contente e feliz!
Perdão da minha miséria,
Da dor que me rala o peito,
E se do mal que te hei feito,
Também do mal que me fiz!

XVII

Adeus qu'eu parto, senhora;
Negou-me o fado inimigo
Passar a vida contigo,
Ter sepultura entre os meus;
Negou-me nesta hora extrema,
Por extrema despedida,
Ouvir-te a voz comovida
Soluçar um breve Adeus!

XVIII

Lerás porém algum dia
Meus versos d'alma arrancados,
D'amargo pranto banhados,
Com sangue escritos; - e então
Confio que te comovas,
Que a minha dor te apiade
Que chores, não de saudade,
Nem de amor, - de compaixão.

Imagem:http://myfotolog.tumblr.com/post/29008722341/c-jardindesprit

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Livro: Momentos de decisão / Autor: Divaldo P. Franco (ditado pelo espírito Marco Prisco)

1- "Não assevere: Nunca mais!
      O amanhã é lição ignorada."

2- "Rompa as amarras com o ontem negativo e renove-se para o amanhã abençoado."

3- "Não imponha: Comigo é assim!
      A vida se constitui de surpresas e você não sabe o que lhe acontecerá daqui a uma hora."

4- "Dissimulando a irritação que a presença de certas pessoas cansativas lhe produz, não cultive a intolerância. Os que lhe causam desagrado constituem salutar exercício à sua paciência, preparando-o para tentames mais difíceis."

5- "Compromisso exige responsabilidade.
      Responsabilidade solicita equilíbrio moral.
      Equilíbrio moral decorre da disciplina.
      Disciplina sugere auto-conhecimento.
      Auto-conhecimento resulta de educação.
      Educação recorda preparo para a vida.
      Vida é patrimônio divino que ninguém pode mal-baratar, inconsequentemente."

6- "A ociosidade é geratriz de todos os males.
      O pessimismo é navalha implacável.
      O ódio é veneno vigoroso.
      A vaidade é laço fatal.
      A calúnia é sopro destruidor.
      A mentira é lixo moral.
      A hipocrisia é tapete que disfarça abismos.
      A suspeita é espinho cruel.
      A maledicência é fagulha irresponsável, provocando incêndios.
      Só o amor é luz em todos os lugares e pão em todas as mesas...
      Ao tomar do arado do Cristo rompa com o passado.
      Não olhe para trás.
      Não compactue com o erro.
      Renove-se e avance.
      Ame, e se salvará a si mesmo, quanto ao mundo inteiro!"

7- "No Evangelho você encontrará sempre segurança e consolo."

Imagem: http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-457822358-livro-momentos-de-deciso-marco-prisco-divaldo-p-franco-_JM?redirectedFromParent=MLB447356077

Poesia: No meio do caminho / Autor: Carlos Drummond de Andrade

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra

Nunca me esquecerei deste acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

Imagem: Sabryna Keisy.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Uma oração de Ademar Guerra

Meu Senhor:
Estou ficando velho.
Ajuda-me a evitar que me torne muito falador, desagradável e veemente a respeito das coisas.
Evite que eu comece a ficar contra tudo e contra todos.
Ajude-me a saber quando já falei o que devia.
Ensine-me a chegar rapidamente ao ponto principal da história que estiver contando.
Que eu nunca fale da ingratidão alheia; e que nunca fale das minhas dores físicas, a não ser para o meu médico.
Ajude-me a fim de que eu possa manter meus velhos amigos e encontrar novos.
E que eu possa ser amistoso com as pessoas, útil a todos e agradável aos que comigo conversarem.
Que eu possa dar e receber estímulos mentais de meus amigos.
Ajude-me a manter correspondência com os parentes e amigos.
Ajude-me a sentir interesse pelos que me visitarem.
Ajude-me a cuidar apenas dos meus assuntos; evitando que eu me intrometa nos assuntos alheios.
Acima de todas as coisas, Senhor, ajude-me a manter meu velho senso de humor e toda a minha autocrítica. Ajuda-me a perdoar meus amigos, porque eles assim poderão perdoar os defeitos que encontrarem em mim.
Amém.

Imagem: http://sonar-ua.deviantart.com/

domingo, 6 de janeiro de 2013

Fábula: A rã e o touro / Autor: Esopo

     Um grande touro passeava pela margem de um riacho. A rã ficou com muita inveja de seu tamanho e de sua força.
     Então, começou a inchar, fazendo enorme esforço, para tentar ficar tão grande quanto o touro.
     Perguntou às companheiras do riacho se estava do tamanho do touro. Elas responderam que não.
     A rã tornou a inchar e inchar, mas, ainda assim, não alcançou o tamanho do touro.
     Pela terceira vez, a rã tentou inchar. Mas fez isso com tanta força que acabou explodindo, por culpa de tanta inveja.

Não cobiçar as coisas alheias.

Imagem: http://fineartamerica.com/featured/bull-frog-and-the-moon-nick-gustafson.html

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Música: Antes que seja tarde / Compositores: John/Fernanda Takai e Tarcísio Moura

Olha, não sou daqui
me diga onde estou
não há tempo não há nada
que me faça ser quem sou
mas sem parar pra pensar
sigo estradas, sigo pistas pra me achar

Nunca sei o que se passa
com as manias do lugar
porque sempre parto antes que comece a gostar
de ser igual, qualquer um
me sentir mais uma peça no final
cometendo um erro bobo, decimal

Na verdade continuo sob a mesma condição
distraindo a verdade, enganando o coração

Pelas minhas trilhas você perde a direção
não há placa nem pessoas informando aonde vão
penso outra vez estou sem meus amigos
e retomo a porta aberta dos perigos


Na verdade continuo sob a mesma condição
distraindo a verdade, enganando o coração


Na verdade continuo sob a mesma condição
distraindo a verdade, enganando o coração

Enganando coração, enganando coração...

Para ver e ouvir: YouTube.
Imagem: http://thegiftsoflife.tumblr.com/