quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Poesia: Uma história / Autor: Casimiro de Abreu

A brisa dizia à rosa:
- Dá, formosa,
Dá-me, linda, o teu amor,
Deixa eu dormir no teu seio
Sem receio,
Sem receio, minha flor!

De tarde virei da selva
Sobre a relva
Os meus suspiros te dar;
E de noite na corrente
Mansamente,
Mansamente me embalar!

E a rosa dizia à brisa:
- Não precisa
Meu seio dos beijos teus;
Não te adoro... és inconstante...
Outro amante,
Outro amante aos sonhos meus!

Tu passas de noite e dia
Sem poesia
A repetir-me os teus ais;
Não te adoro... quero o Norte
Que é mais forte
Que é mais forte e eu amo mais!

No outro dia a pobre rosa
Tão vaidosa
No hastil se debruçou;
Pobre dela! - Teve a morte
Porque o Norte
Porque o Norte a desfolhou!...

Imagem: Sabryna Keisy.