quinta-feira, 30 de maio de 2013

Citações do Biscoito da Sorte

"A indecisão gera a confusão."

"Quem sabe esperar com paciência já recebeu a força que precisava."

"Sua vida amorosa será feliz e harmoniosa."

"A vida para você é uma aventura arrojada e audaciosa."

"Palavras verdadeiras podem não ser agradáveis."

"O amor está mais próximo do que você imagina."

"Costumamos encontrar nosso destino justamente onde nos escondemos para evitá-lo."

"Consciente dos perigos decorrentes da responsabilidade que assumiu, pode evitar-se erros."

"Atinge-se a sabedoria quando se aprende a segurar a língua."

"Tudo está sujeito à mutação. Esta é a eterna lei da Terra."

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Conto: O homem que não se irritava / Autor: Chico Xavier (ditado pelo espírito Irmão X)

     Existiu um rei, amigo da sabedoria, que, depois de grande trabalho para subjugar a natureza inferior, convidou um filósofo para socorrê-lo no aperfeiçoamento da palavra. Conseguira indiscutível progresso na arte de sublimar-se. Fizera-se portador de primoroso cultura e, tanto no ministério público, quanto na vida privada, caracterizava-se por largos gestos de bondade e inteligência. Fazia quanto lhe era possível para exercer a justiça, segundo os padrões da reta consciência, e demonstrava inexcedível carinho na defesa e proteção do povo, através de reiteradas distribuições de lã e trigo, a fim de que as pessoas menos favorecidas pela fortuna não sofressem frio ou fome. Não sabia acumular tesouros exclusivamente para si e, em razão disso, obedecendo às virtudes sociais de que se fizera o exemplo vivo, instituíra escolas e abrigos e incentivara a indústria e a lavoura, desejando que todos os súditos, ainda os mais humildes, encontrassem acesso à educação e à prosperidade.
     No círculo das manifestações pessoais, contudo, o valoroso monarca se sentia atrasado e hesitante.
     Não sabia disfarçar a cólera, não continha a fraqueza rude e nem sopitava o mau humor.
     Admirado e querido pelas qualidades sublimes que pudera fixar na personalidade, sofria, no entanto, a mágoa e a desconfiança de muitos que passaram a temer-lhe a frase contundente.
     Interessado, porém, na própria melhoria, solicitou ao filósofo que lhe acompanhasse a lide cotidiana.
     Quando se descontrolava, caindo nas amargas consequências do verbo impensado, o orientador observava, com humildade:
     - Poderoso senhor, tenha paciência e continue trabalhando no aprimoramento das próprias manifestações.
     A expressão serena e sábia revela grandeza interior que reclama tempo para ser devidamente consolidada. Quem alcança a ciência de falar, pode conviver com os anjos, porque a palavra é, sem dúvida, a continuação de nós mesmos.
     O monarca não se conformava e, em desespero passivo, confiava-se a rigoroso silêncio, que prejudicava consideravelmente os negócios do reino.
     De semelhante posição vinha roubá-la o filósofo, advertindo, respeitoso:
     - Amado soberano, a extrema quietude pode traduzir traição aos nossos deveres. A pretexto de nos reformarmos espiritualmente, não será lícito desprezar os nossos compromissos com o progresso comum. Fale sempre e não desdenhe agir! O verbo é a projeção do pensamento criador.
     O rei voltava a conversar, beneficiando o extenso domínio que lhe cabia dirigir, mas lá chegava outro momento em que se perdia na indignação excessiva, humilhando e ferindo ministros e vassalos a que desejaria ajudar sinceramente.
     Lamentando-se, aflito, vinha o filósofo conselheiral, afirmando, prestimoso:
     - Grande soberano, tenha paciência consigo mesmo.
     O reajustamento da alma não é obra para um dia. Prossiga, esforçando-se. Toda realização pede o concurso abençoado das horas... O rio deixaria de existir sem a congregação das gotas... Guarde calma, muita calma e não desanime...
     O monarca, no entanto, desacoroçoado, depois de regular experimentação com o filósofo, exonerou-o das funções que ocupava e expediu dois emissários às suas províncias extensas para que lhe trouxessem ao palácio algum homem incapaz de se irritar. Pretendia entrar em contato com o espírito mais equilibrado de suas terras, a fim de melhor orientar-se no autoburilamento.
     Os mensageiros iniciaram as investigações, mas impacientavam-se desiludidos. O homem que observavam ponderado na via pública era colérico no lar. Quem se revelava gentil em casa, costumava irar-se na rua. Alguns se mostravam distintos e agradáveis junto da família consanguínea, todavia, eram azedos no trato social.
     Diversos exibiam formosa máscara de serenidade com os estranhos, no entanto, dirigiam-se aos domésticos com deplorável aspereza.
     Depois de trinta dias de porfiada pesquisa, jubilosos, o homem que nunca se exasperava.
     Seguiram-no, cuidadosamente, em toda parte.
     Nunca falava alto e mantinha silêncio comovedor, no domicílio que lhe era próprio e fora dele.
     Durante quatro semanas foi examinado sob atenção vigilante, não perdendo um til na conduta irrepreensível.
     Trabalhava, movimentava-se, alimentava-se e atendia aos menores deveres, imperturbavelmente.
     Apressaram-se os mensageiros em levar a boa nova ao monarca, e o rei, satisfeito, convocou assessores e áulicos de sua casa para receber a personagem admirável, com a dignidade que lhe era devida.
     O vassalo venturoso foi trazido à real presença, entretanto, quando o soberano lhe dirigiu a palavra, esperando encontrar um anjo num corpo de carne, verificou, sob indefinível assombro, que o homem capaz de irritar-se era mudo.
     Sob o respeito manifesto de todos, o rei sorriu, desapontado, e mandou buscar novamente o filósofo, resignando-se a ter paciência consigo mesmo, a fim de aprender a conquistar-se pouco a pouco.

Imagem: http://skeisy.tumblr.com/post/40838754339

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Poesia: Eros e Psiqué / Autor: Fernando Pessoa

OBS.: esta poesia de Fernando Pessoa é um texto que exige reflexão, que pede uma leitura feita com o coração. Nele está, de forma sensível e bela, a única verdade: amar o outro não é qualquer outra coisa senão estar, a cada dia, buscando a si mesmo.

Conta a lenda que dormia

Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um infante, que vivia
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,

Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,

Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,

Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino - 

Ela dormindo encantada, 
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro

Tudo pela estrada  fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.

E, inda tonto do que houvera,

            Á cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A princesa que dormia.

Imagem: Wikipédia.