sábado, 10 de agosto de 2013

Conto: As rosas do infinito / Autor: Autor: Chico Xavier (ditado pelo espírito Irmão X)

      Em deslumbrante paisagem da Esfera superior, diversos mensageiros se congregavam em curioso certame. Procediam de lugares diversos e traziam flores para importante aferição de mérito.
     Na praça enorme, pavimentada de substância semelhante ao jade, colunas multicores exibiam guirlandas de soberana beleza.
     Rosas de todos os feitios e cravos soberbos, gerânios e glicínias, lírios e açucenas, miosótis e crisântemos exaltavam a Sabedoria do Criador em festa espetacular de cores e perfumes.
     Envergando túnicas resplendentes, servidores espirituais iam e vinham, à espera dos juízes angélicos.
     A exposição singular destinava-se à verificação da existência de luz divina, nos múltiplos exemplares que aí se alinhavam, salientando-se que os espécimes com maior teor de claridade celeste seriam conduzidos ao Trono do Eterno, como preito de amor e reconhecimento dos trabalhadores do bem.
     Os julgadores não se fizeram esperados.
     Quando a expectação geral se mostrava adiantada, três emissários da Majestade Sublime atravessaram as portas de dourada filigrana e, depois das saudações afetuosas, iniciaram o trabalho que lhes competia. Aquele que detinha mais elevada posição hierárquica trazia nas mãos uma toalha de linho translúcido, o único apetrecho que certamente utilizaria na tarefa de análise das preciosidades expostas.
     Cada ramo era seguido de pequena comissão representativa do serviço espiritual em que fora elucidando.
      Aproximou-se o primeiro grupo, trazendo uma braçada de rosas, tecidas com as emoções do carinho materno que, lançadas à toalha surpreendente, expediram suaves irradiações em azul indefinível, e os anjos abençoaram o devotamento das mães, que preservam os tesouros de Deus, na posição de heroínas desconhecidas.
     Logo após, brilhante conjunto de Espíritos jubilosos deitou ao pano singular uma coroa de lírios, formados pelas vibrações de fervor das almas piedosas que se devotam nos templos ao culto da fé. Safirinas emanações cruzaram o espaço e os celestes embaixadores louvaram aos santos misteres de todos os religiosos do mundo.
     Em seguida, alegre comissão juvenil trouxe a exame delicado ramalhete de açucenas, estruturadas nos sonhos e nas esperanças dos noivos que sabem guardar a Benção Divina, e raios verdes de brilho intraduzível se projetaram em todas as direções, enquanto os emissários do Todo-Misericordioso entoaram encômios aos afetos santificantes das almas.
     Lindas crianças foram portadoras de formosa auréola de jasmins, nascidos da ternura infantil, e que, depostos sobre a toalha miraculosa, emitiram alvíssima luz, semelhante a fios de aurora, incidindo sobre a neve.
     Depois, pequeno agrupamento de criaturas iluminadas colocou, sob os olhos dos anjos, bela grinalda de cravos rubros, colhidos na renunciação dos sábios e dos heróis, a serviço da Humanidade, que exteriorizaram vermelhas emanações, quais se fossem constituídas de eterizados rubis.
     E, assim, cada comissão submeteu ao trabalho seletivo as jóias que trazia.
     O devotamento dos pais, os laços esponsalícios, a dedicação dos filhos, o carinho dos verdadeiros amigos, a devoção de vários matizes ali se achavam magnificamente representados pelas flores cuja essência lhes correspondia.
     Em derradeiro lugar, compareceu a mais humilde comissão da festa.
     Quatro almas, revelando características de extrema simplicidade, surgiram com um ramo feio e triste. Eram rosas mirradas, de cor arroxeada, mostrando pontos esbranquiçados a guisa de manchas, a desabrocharem ao longo de hastes espinhosas e repelentes. Depostas, no entanto, sobre a mágica toalha, inflamaram-se de luz solar, a irradiar-se do recinto à imensidão dos Céus.
     Os três anjos puseram-se de joelhos. Inesperada comoção encheu de lágrimas os olhos espantados da enorme assembléia. E porque alguns dos presentes chorassem, com interrogações imanifestas, o grande juiz do certame esclareceu, emocionado:
     - Estas flores são as rosas de amor que raros trabalhadores do bem cultivam nas sombras do inferno. São glórias do sentimento puro, da fraternidade real, da suprema consagração à virtude, porque somente as almas libertas de todo o egoísmo conseguem servir a Deus, na escória das trevas. Os acúleos que se destacam nas hastes agressivas simbolizam as dificuldades superadas, as pétalas roxas simbolizam o arrependimento e a consolação dos que já se transferiram da desolação para a esperança, e os pontos alvos expressam o pranto mudo e aflitivo dos heróis anônimos que sabem servir sem reclamar...
     E, entre cânticos de transbordante alegria, as rosas estranhas subiram rutilantes do Paraíso.
     Ó vós, que lutais no caminho empedrado de cada dia, enxugai as lágrimas e esperai! As flores mais sublimes para o Céu nascem na Terra, onde os companheiros de boa-vontade sabem viver para a vitória do bem, com o suor do trabalho incessante e com as lágrimas silenciosas do próprio sacrifício.

Imagem: http://pinterest.com/pin/59180182576727274/

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Poesia: Bem no fundo / Autor: Paulo Leminski

No fundo, no fundo
bem lá no fundo
a gente gostaria
de ver nossos problemas
resolvidos por decreto

a partir desta data,
aquela mágoa sem remédio
é considerada nula
e sobre ela - silêncio perpétuo

extinto por lei todo o remorso,
maldito seja que olhas pra trás,
lá pra trás não há nada,
e nada mais

mas problemas não se resolvem,
problemas têm família grande,
e aos domingos saem todos a passear
o problema, sua senhora
e outros pequenos probleminhas.

Imagem: http://keyperscove.tumblr.com/post/16439657653/winter-rose-key-for-sale

Cantiga: Cai, cai, balão

Cai, cai, balão! Cai, cai, balão!
Aqui na minha mão.
Não cai, não! Não cai, não! Não cai, não!
Cai no meio do salão!

Imagem: http://pessoas.hsw.uol.com.br/festas-juninas.htm

sábado, 3 de agosto de 2013

Música: Garotos II - o outro lado / Compositor: Leoni

Seus olhos e seus olhares
milhares de tentações
Meninas são tão mulheres
seus truques e confusões
Se espalham pelos pêlos
Boca e cabelo
Peitos e poses e apelos
Me agarram pelas pernas
certas mulheres como você
me levam sempre aonde querem

Garotos não resistem aos seus mistérios
Garotos nunca dizem não
Garotos como eu sempre tão espertos
Perto de uma mulher
são só garotos

Seus dentes e seus sorrisos
mastigam meu corpo e juízo
Devoram os meus sentidos
E eu já não me importo comigo
Então são mãos e braços
Beijos e abraços
Pele, barriga e seus laços
São armadilhas e eu não sei o que faço
aqui de palhaço
seguindo os seus passos

Garotos não resistem aos seus mistérios
Garotos nunca dizem não
Garotos como eu sempre tão espertos
Perto de uma mulher
são só garotos

Para ver e ouvir: YouTube.
Imagem: Sabryna Keisy.

Livro: Alma Gêmea / Autora: Rosana Braga

1- "Exigir que a vida nos dê o melhor é o que temos feito sempre. Mas precisamos olhar para dentro de nós e perguntarmos o que é que temos dado à vida para merecermos o melhor."

2- "Existem muitas pessoas que passam o tempo todo falando, falando, falando... sem parar. Acredito que essa seja a forma mais comum que escolhemos para fugirmos de nós mesmos. Quem muito se explica é porque não consegue convencer nem a si mesmo."

3- "De nada adiantam o dinheiro, a posição social, o emprego ou o status. A evolução da alma pode acontecer no local mais pobre e sem recursos que você já tenha visto, porque o que mais podemos ver, nesse mundo de desigualdades sociais, são almas miseráveis rodeadas de luxo e almas muitíssimo evoluídas vivendo na pobreza..."

Imagem: http://www.americanas.com.br/produto/6651114/livro-alma-gemea